O Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Mário Penna acaba de inaugurar a nova Sala de Cultivo Celular, onde funcionará a Plataforma de Triagem de Fármacos ex vivo, ou seja, em laboratório. Equipada com tecnologia de ponta, o objetivo é analisar como as células de câncer de cada paciente reagem a diferentes medicamentos fora do corpo. Segundo a Dra. Carolina Melo, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Básica e Translacional do Mário Penna, a principal vantagem de se fazer essa triagem em laboratório, é evitar a exposição desnecessária de pacientes a medicamentos que não terão efeito algum sobre as células cancerígenas, mas podem, ainda assim, causar reações adversas.
Os primeiros testes serão realizados com amostras de pacientes de Leucemia Mielóide Aguda (LMA) atendidos no Mário Penna que concordarem em doar uma amostra de sangue para o estudo. A pesquisadora explica que um dos grandes desafios no tratamento dessa doença é que, mesmo após a quimioterapia inicial, muitos pacientes não melhoram ou acabam tendo recaídas. “Quando isso acontece, chamamos de LMA refratária (que não responde ao tratamento) ou recidivada (quando a doença volta). Nesses casos, a chance de sobrevivência em 5 anos é de apenas 10%. Por isso, encontrar tratamentos mais eficazes e personalizados é fundamental”, pontua.
Veja abaixo um esquema e entenda como serão feitos os testes:
Teste Personalizado com Células do Paciente (Ex Vivo)
- Coleta das Células
- Células da leucemia são retiradas do paciente.
- Distribuição em Micropocinhos
- As células são colocadas em um recipiente com vários micropocinhos:
- Cada micropocinho recebe um fármaco diferente
- São testadas diferentes doses de cada medicamento
- Cultura das Células
- As células são colocadas em um microscópio especial com incubadora
- A incubadora mantém temperatura, umidade e condições como as do corpo humano, o que garante que as células permaneçam vivas
- Incubação por 5 dias
- As células ficam na incubadora por 5 dias, enquanto os medicamentos agem
- Análise por Imagens
- Um programa analisa as milhares de fotos tiradas pelo microscópio durante os 5 dias.
- Resultado
- O sistema indica quais medicamentos tiveram melhor efeito nas células
- Isso ajuda o médico a escolher o tratamento com mais chance de sucesso
Em resumo, com essa plataforma será possível testar várias opções de tratamento de forma rápida e segura, auxiliando na identificação de quais medicamentos funcionam melhor para cada paciente. Ou seja, analisar como as células reagem aos medicamentos em laboratório pode ser muito útil para os médicos tomarem decisões mais acertadas, ajudando a definir o melhor tratamento para cada pessoa com LMA. A expectativa é que essa metodologia seja estendida para outros tipos de câncer em breve.
A pesquisadora ressalta ainda o avanço tecnológico na pesquisa oncológica do estado que este estudo representa. Esse método vem sendo utilizado com sucesso por pesquisadores no Moffitt Cancer Center, nos Estados Unidos, para pacientes com Mieloma Múltiplo, outro câncer hematológico. “O Instituto Mário Penna será o primeiro no estado de Minas Gerais, e o segundo no Brasil, a contar com essa metodologia. É importante lembrar que, por enquanto, trata-se de um protocolo experimental, mas com grande potencial para auxiliar os médicos na tomada de decisão em busca do melhor tratamento”, finaliza.
Dra. Carolina Melo é PhD em genética humana, trabalha há mais 10 anos na pesquisa em oncologia, e atualmente faz parte da equipe de pesquisadores do NEPI Mário Penna.



