No Dia do Urologista, especialista do Instituto Mário Penna explica como a atuação vai muito além da próstata e pode acompanhar homens, mulheres e crianças
Quando o assunto é câncer de próstata, prevenção e diagnóstico precoce, a figura do urologista costuma aparecer como uma das principais referências. Mas a próstata é apenas uma parte do campo de atuação desse especialista. No Instituto Mário Penna, referência em oncologia, o urologista Rodrigo Corradi reforça que o cuidado vai muito além da investigação de doenças da próstata e envolve todo o trato urinário, além do sistema reprodutor masculino.
Celebrado em 12 de setembro, o Dia do Urologista é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre a especialidade e mostrar como esse profissional pode acompanhar a saúde em diferentes fases da vida, desde a infância até a terceira idade.
Embora seja frequentemente associado aos homens, o urologista também atende mulheres. Entre as condições que podem demandar acompanhamento estão cálculos renais, infecções urinárias de repetição, bexiga hiperativa, cânceres de rim e bexiga, incontinência urinária e prolapsos. São problemas que podem afetar diretamente a qualidade de vida e que fazem parte da rotina de atendimento da especialidade.
A atuação começa ainda na infância. Na uropediatria, o acompanhamento envolve malformações congênitas, alterações na uretra, problemas renais e outras condições que podem ser identificadas nos primeiros anos de vida.
Um olhar para além do órgão
Para Rodrigo Corradi, um dos principais papéis do urologista é olhar para o paciente de maneira integral. Embora sua área de atuação esteja concentrada no sistema urinário e reprodutor, a consulta pode ser uma oportunidade para identificar outras alterações de saúde e, quando necessário, encaminhar o paciente para outros profissionais.
“Eu não olho uma próstata, eu olho uma pessoa. Eu não opero um rim, eu opero uma pessoa”, destaca.
Na prática, esse olhar mais amplo pode levar à identificação de alterações de colesterol e triglicérides, diabetes, hipertensão e até infecções sexualmente transmissíveis que podem não apresentar sintomas.
Por isso, a consulta não precisa estar associada apenas ao aparecimento de um problema. O acompanhamento médico também pode ser um espaço para conversar, esclarecer dúvidas, investigar alterações e avaliar a saúde de forma mais ampla.
Quando a próstata entra em cena
Dentro da saúde masculina, a próstata continua sendo uma das estruturas acompanhadas pelo urologista. Entre as condições investigadas está o câncer de próstata, que pode não apresentar sintomas em suas fases iniciais.
É justamente por isso que a avaliação médica deve considerar o histórico e as características de cada paciente. Alterações urinárias, como dificuldade para iniciar ou esvaziar a urina, jato fraco, aumento da frequência urinária ou necessidade de levantar várias vezes à noite, merecem atenção, mas não significam necessariamente câncer e podem estar relacionadas a diferentes condições.
O médico ressalta ainda que exames como o PSA e o toque retal fazem parte de uma avaliação individualizada. O PSA, por exemplo, não é um marcador exclusivo de câncer, e seus resultados precisam ser interpretados dentro do contexto clínico do paciente. Da mesma forma, o toque retal pode ter indicação em situações específicas e não necessariamente precisa ser realizado em todas as consultas.
Cuidar antes de precisar tratar
Outro ponto destacado pelo urologista é a importância de não esperar uma situação de urgência para buscar atendimento. Segundo ele, muitos homens ainda associam a consulta ao desconforto de exames específicos e acabam adiando o acompanhamento.
A ideia, porém, é justamente procurar o médico enquanto está tudo bem. O acompanhamento permite que dúvidas sejam esclarecidas, alterações sejam investigadas e, quando necessário, diferentes possibilidades de cuidado sejam discutidas antes que um problema se agrave.
Acolhimento também faz parte do cuidado
Mais do que realizar exames e indicar tratamentos, Rodrigo Corradi destaca o papel do acolhimento na relação entre médico e paciente. Para ele, o consultório precisa ser um espaço em que a pessoa possa falar sobre suas dúvidas e desconfortos com liberdade.
Essa relação também é importante na definição dos caminhos de cuidado. Nem sempre o tratamento mais invasivo será a melhor escolha, e as decisões devem considerar as características da doença, as possibilidades terapêuticas e as preferências do próprio paciente.
“Cuidar é dar opções para esse paciente”, explica. A partir da conversa entre médico e paciente, é construído um plano que considera o que pode e o que deve ser feito em cada situação.
Para o especialista, essa diferença é fundamental: “Tratar quando possível. Cuidar sempre. Sempre acolher. Sempre explicar. Sempre escutar.”
No Dia do Urologista, a mensagem é também um convite para mudar a percepção sobre a especialidade. A próstata pode ser uma porta de entrada para falar sobre saúde masculina e oncologia, mas está longe de representar tudo o que faz um urologista. Homens, mulheres e crianças podem precisar desse acompanhamento em diferentes momentos da vida e cuidar da saúde significa também olhar para além dos sintomas e de um único órgão.







