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NEXS I NÚCLEO DE EXCELÊNCIA EM SAÚDE

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Arquivos do Autor: Marketing

23set2026
Autor Marketing Categorias Instituto Mário Penna, Notícias Gerais Deixe um comentário

Biópsia líquida: o que o sangue pode revelar sobre um tumor?

Quando pensamos em investigar um câncer, geralmente pensamos em exames de imagem e na biópsia do tumor. Atualmente, esses métodos desempenham um papel fundamental no diagnóstico e no monitoramento da doença. No entanto, ainda apresentam algumas limitações. A biópsia tecidual envolve procedimentos invasivos, que podem causar desconforto e riscos aos pacientes, além de nem sempre ser viável realizar novas coletas de tecido repetidamente para acompanhar a evolução da doença. Os exames de imagem, por sua vez, também apresentam limitações de sensibilidade e podem ter dificuldade para identificar alterações muito pequenas ou precoces.

Diante disso, surge uma pergunta: será que uma amostra de sangue também pode fornecer informações sobre um tumor e contribuir para sua detecção e seu monitoramento ao longo do tempo?

É nesse contexto que se destaca a biópsia líquida, uma abordagem minimamente invasiva que utiliza amostras de sangue ou de outros fluidos corporais para investigar alterações relacionadas ao câncer. Diferentemente da biópsia convencional, que analisa diretamente um fragmento do tumor, a biópsia líquida busca identificar, na circulação sanguínea, sinais que tenham sido liberados pelas células tumorais.

Entre esses sinais estão as células tumorais circulantes (CTCs), que podem se desprender do tumor e entrar na corrente sanguínea; pequenos fragmentos de DNA e RNA, liberados pelas células e que podem carregar informações sobre as características do tumor; além das vesículas extracelulares, pequenas estruturas liberadas pelas células que podem transportar diferentes moléculas e informações entre as células.

O que essas informações podem nos dizer?

O material encontrado no sangue pode fornecer informações sobre diferentes aspectos do tumor. Por meio da análise do DNA, por exemplo, é possível investigar mutações genéticas que podem estar associadas ao desenvolvimento ou ao comportamento da doença. A análise do RNA pode ajudar a compreender quais genes estão mais ou menos ativos em determinado momento. Já proteínas, citocinas e outras moléculas presentes na circulação podem fornecer informações sobre processos biológicos relacionados ao tumor e à resposta do organismo.

Essas informações despertam grande interesse porque os tumores não são estáticos. Ao longo da doença, suas características podem mudar e também podem surgir alterações associadas à resistência ao tratamento. Por isso, uma das possibilidades estudadas pela biópsia líquida é justamente acompanhar essas mudanças por meio de coletas de sangue realizadas em diferentes momentos.

Como os pesquisadores conseguem encontrar essas informações?

O desenvolvimento da biópsia líquida foi impulsionado pelos avanços nas tecnologias utilizadas para identificar pequenas quantidades de material biológico. Entre elas estão as técnicas de sequenciamento de nova geração (NGS), que permitem analisar milhões de fragmentos de DNA ou RNA simultaneamente, possibilitando a investigação de alterações genéticas e de padrões de expressão dos genes. Já outras tecnologias podem auxiliar na separação e caracterização de células ou estruturas presentes no sangue.

No Laboratório de Pesquisa Translacional da Rede Mário Penna, diferentes componentes presentes no sangue ou outros fluídos são estudados em pesquisas envolvendo diversos tipos de câncer, como câncer de mama, ovário, colo do útero, glioblastoma e câncer colorretal, entre outros. O objetivo é compreender melhor as características dos tumores e investigar se as informações encontradas no sangue podem contribuir para o diagnóstico, o prognóstico e o acompanhamento da doença e do tratamento.

Para isso, são utilizadas diferentes estratégias e tecnologias. As vesículas extracelulares, por exemplo, são isoladas e caracterizadas quanto à sua origem por citometria de fluxo. Além disso, o material genético, como RNA e miRNAs presentes nessas vesículas, pode ser avaliado por PCR ou NGS, contribuindo para a compreensão da comunicação entre as células tumorais e dos processos relacionados à metástase. Também é possível analisar o DNA e o RNA circulantes presentes no sangue por meio de técnicas de sequenciamento e PCR digital, buscando identificar mutações genéticas ou mudanças na atividade dos genes.

A biópsia líquida representa, portanto, uma área de grande interesse na oncologia. Embora ainda existam desafios importantes, a possibilidade de obter informações sobre um tumor a partir de uma amostra de sangue abre novas oportunidades para compreender a doença e desenvolver estratégias cada vez mais individualizadas de diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.

Texto produzido por Rafaela Andrade, biomédica, Mestre em Ciências Morfofuncionais, doutoranda em Ciências da Saúde e apoio técnico no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação da Rede Mário Penna.

11set2026
Autor Marketing Categorias Humanização, Instituto Mário Penna, Notícias Gerais Deixe um comentário

Próstata é só o começo: o que um urologista pode identificar antes mesmo dos sintomas

No Dia do Urologista, especialista do Instituto Mário Penna explica como a atuação vai muito além da próstata e pode acompanhar homens, mulheres e crianças

Quando o assunto é câncer de próstata, prevenção e diagnóstico precoce, a figura do urologista costuma aparecer como uma das principais referências. Mas a próstata é apenas uma parte do campo de atuação desse especialista. No Instituto Mário Penna, referência em oncologia, o urologista Rodrigo Corradi reforça que o cuidado vai muito além da investigação de doenças da próstata e envolve todo o trato urinário, além do sistema reprodutor masculino.

Celebrado em 12 de setembro, o Dia do Urologista é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre a especialidade e mostrar como esse profissional pode acompanhar a saúde em diferentes fases da vida, desde a infância até a terceira idade.

Embora seja frequentemente associado aos homens, o urologista também atende mulheres. Entre as condições que podem demandar acompanhamento estão cálculos renais, infecções urinárias de repetição, bexiga hiperativa, cânceres de rim e bexiga, incontinência urinária e prolapsos. São problemas que podem afetar diretamente a qualidade de vida e que fazem parte da rotina de atendimento da especialidade.

A atuação começa ainda na infância. Na uropediatria, o acompanhamento envolve malformações congênitas, alterações na uretra, problemas renais e outras condições que podem ser identificadas nos primeiros anos de vida.

Um olhar para além do órgão

Para Rodrigo Corradi, um dos principais papéis do urologista é olhar para o paciente de maneira integral. Embora sua área de atuação esteja concentrada no sistema urinário e reprodutor, a consulta pode ser uma oportunidade para identificar outras alterações de saúde e, quando necessário, encaminhar o paciente para outros profissionais.

“Eu não olho uma próstata, eu olho uma pessoa. Eu não opero um rim, eu opero uma pessoa”, destaca.

Na prática, esse olhar mais amplo pode levar à identificação de alterações de colesterol e triglicérides, diabetes, hipertensão e até infecções sexualmente transmissíveis que podem não apresentar sintomas.

Por isso, a consulta não precisa estar associada apenas ao aparecimento de um problema. O acompanhamento médico também pode ser um espaço para conversar, esclarecer dúvidas, investigar alterações e avaliar a saúde de forma mais ampla.

Quando a próstata entra em cena

Dentro da saúde masculina, a próstata continua sendo uma das estruturas acompanhadas pelo urologista. Entre as condições investigadas está o câncer de próstata, que pode não apresentar sintomas em suas fases iniciais.

É justamente por isso que a avaliação médica deve considerar o histórico e as características de cada paciente. Alterações urinárias, como dificuldade para iniciar ou esvaziar a urina, jato fraco, aumento da frequência urinária ou necessidade de levantar várias vezes à noite, merecem atenção, mas não significam necessariamente câncer e podem estar relacionadas a diferentes condições.

O médico ressalta ainda que exames como o PSA e o toque retal fazem parte de uma avaliação individualizada. O PSA, por exemplo, não é um marcador exclusivo de câncer, e seus resultados precisam ser interpretados dentro do contexto clínico do paciente. Da mesma forma, o toque retal pode ter indicação em situações específicas e não necessariamente precisa ser realizado em todas as consultas.

Cuidar antes de precisar tratar

Outro ponto destacado pelo urologista é a importância de não esperar uma situação de urgência para buscar atendimento. Segundo ele, muitos homens ainda associam a consulta ao desconforto de exames específicos e acabam adiando o acompanhamento.

A ideia, porém, é justamente procurar o médico enquanto está tudo bem. O acompanhamento permite que dúvidas sejam esclarecidas, alterações sejam investigadas e, quando necessário, diferentes possibilidades de cuidado sejam discutidas antes que um problema se agrave.

Acolhimento também faz parte do cuidado

Mais do que realizar exames e indicar tratamentos, Rodrigo Corradi destaca o papel do acolhimento na relação entre médico e paciente. Para ele, o consultório precisa ser um espaço em que a pessoa possa falar sobre suas dúvidas e desconfortos com liberdade.

Essa relação também é importante na definição dos caminhos de cuidado. Nem sempre o tratamento mais invasivo será a melhor escolha, e as decisões devem considerar as características da doença, as possibilidades terapêuticas e as preferências do próprio paciente.

“Cuidar é dar opções para esse paciente”, explica. A partir da conversa entre médico e paciente, é construído um plano que considera o que pode e o que deve ser feito em cada situação.

Para o especialista, essa diferença é fundamental: “Tratar quando possível. Cuidar sempre. Sempre acolher. Sempre explicar. Sempre escutar.”

No Dia do Urologista, a mensagem é também um convite para mudar a percepção sobre a especialidade. A próstata pode ser uma porta de entrada para falar sobre saúde masculina e oncologia, mas está longe de representar tudo o que faz um urologista. Homens, mulheres e crianças podem precisar desse acompanhamento em diferentes momentos da vida  e cuidar da saúde significa também olhar para além dos sintomas e de um único órgão.

9set2026
Autor Marketing Categorias Instituto Mário Penna, Notícias Gerais Deixe um comentário

Comitê de Ética em Pesquisa: A garantia de respeito e segurança no avanço da medicina

Quando o assunto é a busca por novos tratamentos contra o câncer, é comum pensar em cientistas em laboratórios, microscópios e medicamentos inovadores. No entanto, existe um grupo de pessoas que trabalha diariamente nos bastidores para garantir que o elemento mais importante dessa jornada continue protegido: o ser humano. Esse grupo é o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Rede Mário Penna.

Mas, na prática, o que é e para que serve o CEP?

Quem explica é a Dra. Carolina Melo, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Translacional do NEPI e vice-coordenadora do CEP da Rede Mário Penna. Segundo a pesquisadora, o Comitê de Ética pode ser entendido como um “escudo protetor” do paciente.

“O CEP é formado por um time multidisciplinar — que inclui médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos e, principalmente, representantes dos próprios pacientes —, que analisa detalhadamente todo estudo científico antes que ele possa começar na instituição”, explica.

A missão principal desse grupo é garantir que os direitos, a dignidade, a segurança e o bem-estar de quem participa de uma pesquisa sejam totalmente respeitados.

Segurança para quem participa — e também para quem pesquisa

A Dra. Carolina ressalta que, se por um lado o Comitê protege o paciente, por outro também é um parceiro indispensável para o cientista. Para o pesquisador, o parecer do CEP não representa uma mera burocracia, mas um selo de qualidade, credibilidade e respaldo jurídico.

A pesquisadora explica que, ao passar pelo crivo do CEP, o cientista tem a segurança de que o estudo segue os mais rigorosos padrões nacionais e internacionais. Isso protege o profissional contra falhas metodológicas, garante a transparência da coleta de dados e abre portas para que as pesquisas da Rede Mário Penna sejam reconhecidas e publicadas em revistas científicas de prestígio internacional.

“É a garantia de que a ciência produzida no Mário Penna é feita com excelência e responsabilidade.”

Transparência e respeito em primeiro lugar

A Dra. Carolina detalha que, antes de um paciente voluntário receber um novo tratamento ou participar de um estudo, o CEP avalia perguntas cruciais:

  • Os benefícios desse estudo são maiores do que os riscos envolvidos?
  • O voluntário foi informado de forma simples, transparente e sem termos difíceis sobre tudo o que vai acontecer?
  • O participante sabe que é livre para aceitar ou recusar a participação a qualquer momento, sem perder o cuidado e a assistência oferecidos em seu tratamento de rotina no hospital?

“Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for incerta, a pesquisa não é aprovada até que todas as adequações sejam feitas”, afirma a pesquisadora.

Na Rede Mário Penna, onde a humanização caminha lado a lado com a ciência de ponta, o CEP reafirma o compromisso da instituição com uma pesquisa séria, responsável e, acima de tudo, centrada na vida e no respeito a cada pessoa. Afinal, a verdadeira inovação na medicina só faz sentido quando cuida, com ética, do maior patrimônio da instituição: o paciente.

Para saber mais sobre o trabalho do CEP ou esclarecer dúvidas sobre pesquisas clínicas na Rede Mário Penna, entre em contato com a equipe pelo e-mail comiteetica@mariopenna.org.br.

Texto escrito por: Dra. Carolina Melo, PhD em Genética Humana, com mais de 10 anos de atuação em pesquisa em oncologia e integrante da equipe de pesquisadores do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação (NEPI).

26ago2026
Autor Marketing Categorias Instituto Mário Penna, Notícias Gerais Deixe um comentário

Da aprovação à ponta: como a tecnologia em saúde chega para transformar a vida do paciente

A medicina vive uma era de inovações sem precedentes. Diariamente, a ciência nos surpreende com novos medicamentos de precisão, cirurgias minimamente invasivas e terapias revolucionárias. No entanto, criar ou descobrir uma nova tecnologia é apenas o primeiro passo de uma longa jornada. Entre o sucesso em um laboratório e o momento em que esse avanço, de fato, beneficia quem mais precisa, há um caminho rigoroso. Afinal, como essas inovações chegam aos pacientes no Brasil?

Na saúde suplementar — ou seja, para os usuários de planos de saúde —, o grande maestro dessa incorporação tecnológica é a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Periodicamente, a agência atualiza o seu Rol de Procedimentos, definindo quais novos exames, tratamentos e cirurgias passam a ter cobertura obrigatória pelos convênios. Para que uma nova tecnologia seja aprovada pela ANS, ela passa por análises minuciosas que comprovam sua eficácia, segurança e superioridade clínica em relação ao que já é oferecido.

Mas a saúde e a inovação não podem ser privilégios de poucos. É fundamental que esses avanços atravessem as pontes da saúde pública e cheguem ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse cenário, o papel principal é da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Quando um novo tratamento demonstra não apenas ser revolucionário, mas também seguro e viável para a realidade do país, a Conitec avalia e recomenda sua inclusão na rede pública. Muitas vezes, tecnologias que se mostram bem-sucedidas na saúde suplementar acabam por orientar e acelerar essa transição para o SUS.

Mas o que tudo isso significa na prática? Significa esperança e qualidade de vida na “ponta da linha” — ou seja, no leito do hospital, durante o atendimento ao paciente.

No Instituto Mário Penna, o maior prestador de serviços oncológicos do SUS em Minas Gerais, o impacto dessas incorporações tecnológicas é vivenciado diariamente. Quando uma nova terapia-alvo ou um equipamento de radioterapia de última geração é incorporado ao sistema, seja via saúde suplementar ou via SUS, nossa instituição trabalha de forma ágil para integrar esse avanço aos nossos protocolos. Assim como nossas pesquisas no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação buscam atalhos seguros, como o reposicionamento de fármacos, nossa assistência clínica está sempre atenta às novas incorporações ditadas pela ANS e pela Conitec.

É com esse mesmo espírito de encurtar distâncias que atua o Laboratório de Pesquisa Translacional em Oncologia do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação. O foco central da equipe é a busca por novos biomarcadores, indicadores biológicos que nos ajudam a compreender como cada tumor se comporta e a prever a resposta a um tratamento específico. Ao investigar essas assinaturas moleculares, nosso laboratório trabalha para que a medicina de precisão deixe de ser uma realidade restrita e se torne uma ferramenta acessível, capaz de impactar positivamente, e de forma direta, a vida do paciente oncológico atendido pelo SUS.

O grande propósito institucional é garantir que a distância entre a inovação tecnológica e o paciente seja a menor possível. Afinal, a tecnologia só atinge seu verdadeiro potencial quando sai do papel e se transforma em cuidado, em tratamentos eficientes e em mais chances de cura para milhares de pessoas que enfrentam o câncer.

Para saber mais sobre como o Instituto Mário Penna alia tecnologia, pesquisa e assistência de excelência, fiquem atentos aqui às nossas publicações e acompanhem-nos em nossas redes sociais.

Texto escrito pelo pesquisador do NEPI, Biólogo, Mestre e Doutor em Ciências da Saúde pela Fiocruz – Instituto René Rachou, Fábio Ribeiro Queiroz.

12ago2026
Autor Marketing Categorias Instituto Mário Penna, Notícias Gerais 2 comentários em Avanço científico: Inteligência Artifical e Medicina Personalizada no combate ao câncer de ovário

Avanço científico: Inteligência Artifical e Medicina Personalizada no combate ao câncer de ovário

A Inteligência Artificial (IA) vem transformando o combate ao câncer ao levar a medicina de precisão direto para a beira do leito. Na prática, a IA auxilia na organização do fluxo de dados dos hospitais, refina o diagnóstico por imagem e serve como um segundo “par de olhos” para apoiar as decisões médicas.

Descobrir a doença cedo e começar o tratamento rápido salva vidas. Isso é valioso em qualquer contexto, mas é vital para o tratamento do câncer de óvario, especialmente o carcinoma seroso de alto grau (HGSOC) – um dos tumores ginecológicos mais agressivos.

A união que gera inovação!

Foi durante o primeiro encontro da Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) que o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Mário Penna uniu forças com o MCMEG (Monte Carlo Modelling Expert Group), grupo de pesquisa coordenado pela professora Dra. Telma Cristina Ferreira Fonseca, do Departamento de Engenharia Nuclear da UFMG. Juntos, o grupo decidiu enfrentar um desafio e trabalhar em um projeto inovador para mudar o futuro das pacientes com câncer de ovário – identificar o “ponto fraco” do tumor através das imagens.

Sabe-se que o HGSOC pode responder bem às chamadas terapias direcionadas e entre os tratamentos mais eficazes estão os inibidores de PARP (iPARP). Esses inibidores aproveitam de um defeito genético que impede as células tumorais de consertarem o seu próprio DNA. Mas, para descobrir se a paciente tem esse defeito no tumor, é preciso fazer exames genéticos muito caros, complexos e demorados. Infelizmente, essa tecnologia ainda está fora da realidade da maioria dos hospitais brasileiros.

Solução inovadora: patologia digital e algoritmos preditivos

É exatamente nesse ponto que o grupo atua. O objetivo principal do projeto é desenvolver um algoritmo de IA capaz de classificar regiões tumorais diretamente em imagens histológicas (as lâminas de biópsia digitalizadas). 

A tecnologia funciona da seguinte forma: o algoritmo analisa microscopicamente os padrões visuais, texturas e a organização celular do tecido tumoral e, a partir dessa análise visual, a IA consegue prever o status de mutação, sem a necessidade imediata de um teste genético molecular caro. Assim, o sistema identifica de forma rápida e automatizada quais pacientes têm maior probabilidade de carregar a mutação e, consequentemente, de se beneficiarem dos iPARP.

Impacto prático

O sucesso deste projeto representará um salto para a oncologia de precisão no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao democratizar e acelerar a identificação do perfil genético do tumor por meio de ferramentas computacionais, os resultados possibilitarão:

  • Reduzir o tempo de espera entre o diagnóstico e o início do tratamento ideal;
  • Otimizar os recursos do SUS;
  • Aumentar as taxas de sobrevida e a qualidade de vida das pacientes, garantindo que a terapia certa chegue à pessoa certa no momento correto.

Com iniciativas como esta, o NEPI reafirma o papel do Instituto Mário Penna não apenas como um centro de assistência e acolhimento, mas como um centro gerador de ciência, inovação e tecnologia voltadas para salvar vidas.

Texto escrito por Izabela Ferreira Gontijo de Amorim – Pós-doc da Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia e professora da Faminas-BH.

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