O Outubro Rosa é uma campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, reforçando a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e do acesso ao tratamento. Além das estratégias já estabelecidas, pesquisas científicas buscam desenvolver novas ferramentas que possam contribuir para a identificação da doença e aprimorar o cuidado às pacientes.
Nesse contexto, pesquisadores do Instituto Mário Penna, em parceria com a Fiocruz Minas, investigaram o potencial das vesículas extracelulares, pequenas partículas liberadas pelas células e presentes na circulação sanguínea, como possíveis biomarcadores do câncer de mama. O estudo buscou compreender se essas partículas apresentam alterações associadas à doença e podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias complementares de diagnóstico.
Publicado na revista Biomedicines, o primeiro estudo foi desenvolvido no âmbito da tese de doutorado de Thayse Moreira e avaliou 100 pacientes com câncer de mama e 48 mulheres saudáveis. Os resultados demonstraram níveis aumentados de vesículas extracelulares derivadas de neutrófilos, células do sistema imunológico, e de células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos, nas pacientes antes do tratamento.
Em uma segunda etapa, a dissertação de mestrado de Kassyane Furtado investigou esses achados em uma nova coorte, composta por 109 pacientes com câncer de mama e 106 controles. Os resultados também demonstraram níveis elevados dessas vesículas nas pacientes, reforçando os achados anteriores e destacando seu potencial como biomarcadores do câncer de mama. Estudos multicêntricos serão importantes para avaliar a consistência desses resultados.
A partir desses achados, a equipe liderada pela pesquisadora Dra. Letícia Braga propõe desenvolver o EVs Predict Breast Cancer, uma ferramenta digital que integra dados de vesículas extracelulares a informações clínicas e genéticas para auxiliar na identificação de pacientes que possam precisar de uma avaliação mais detalhada e apoiar futuras estratégias de avaliação de risco.
Submetida ao 8º Prêmio Federassantas de Boas Práticas da Unicred Aliança, a iniciativa busca explorar o potencial dessa tecnologia para o rastreamento do câncer de mama por meio de amostras de sangue periférico. Futuramente, a estratégia poderá contribuir para identificar mulheres que necessitem de exames adicionais, favorecer o diagnóstico precoce e otimizar o encaminhamento para avaliação especializada, especialmente em municípios do interior de Minas Gerais, onde o acesso a esses serviços pode ser mais limitado.
Texto elaborado por Fábio Magalhães, pesquisador de Pós-Doutorado Júnior da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Mário Penna (IMP).Parte superior do formulário







