O desenvolvimento de um novo medicamento a partir do zero é um processo complexo que pode levar décadas e ter um custo altíssimo. Diante dessa realidade e da urgência pela vida, a ciência tem buscado alternativas mais ágeis para levar tratamentos eficientes aos pacientes. É neste cenário que ganha força uma das estratégias mais inteligentes da atualidade: o reposicionamento de fármacos.
O reposicionamento consiste em descobrir uma “nova utilidade” para remédios que já foram aprovados e que já são comercializados para o tratamento de outras doenças. Como essas medicações já passaram por todos os rigorosos testes de segurança e toxicidade em humanos, o tempo necessário para que cheguem aos pacientes oncológicos é drasticamente reduzido.
Ao redor do mundo, essa abordagem já rendeu vitórias significativas. O exemplo mais clássico de sucesso é o da Talidomida. Originalmente desenvolvida na década de 1950 para tratar enjoos em gestantes, a medicação foi reposicionada anos mais tarde e hoje é um dos pilares mais eficientes no tratamento do mieloma múltiplo (um tipo de câncer que afeta a medula óssea). Além dela, drogas extremamente comuns e baratas, como a Metformina (tradicionalmente utilizada no controle do diabetes) e até mesmo a Aspirina, vêm sendo alvo de grandes consórcios mundiais de pesquisa devido ao seu surpreendente potencial de inibir a progressão de diferentes tipos de tumores.
Acompanhando essa tendência mundial, o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Mário Penna tem dedicado esforços para contribuir com estudos nesta linha. Atualmente, os pesquisadores do núcleo estão conduzindo uma iniciativa altamente promissora focada no reposicionamento de fármacos para o combate ao câncer de colo do útero.
Em um estudo recente desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa Translacional em Oncologia do Mário Penna, em colaboração com a Universidade Federal de Uberlândia, a equipe investigou a fundo os mecanismos moleculares que tornam o câncer do colo do útero resistente à quimiorradioterapia padrão. Os pesquisadores identificaram uma interação entre duas proteínas que atuam como um bloqueador, neutralizando uma via de defesa importante do organismo que naturalmente induziria a morte das células tumorais.
O objetivo do laboratório é identificar, por meio de métodos computacionais avançados, quais medicamentos já disponíveis nas prateleiras podem ser eficazes contra esse tipo específico de tumor. Isso permite encurtar a ponte entre a pesquisa e a assistência, criando alternativas terapêuticas mais eficientes, acessíveis e rápidas para as mulheres que enfrentam a doença.
Para saber mais sobre esses e outros assuntos da pesquisa realizada no Instituto Mário Penna, acompanhe o site e as redes sociais da instituição.
Texto escrito pelo pesquisador Biólogo, Mestre e Doutor em Ciências da Saúde pela Fiocruz – Instituto René Rachou, Fábio Ribeiro Queiroz.



