O Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação (NEPI) da Rede Mário Penna realizou, no último dia 24, a 19ª edição do Café com Ciência, encontro que promove a troca de conhecimentos entre profissionais da pesquisa, ensino e assistência. Com o tema “Além da Prevenção: Ciência, Inovação e Cuidado Integrado no Câncer Colorretal”, o evento reuniu especialistas no Teatro Lael Varella, da Faminas, em Belo Horizonte, para discutir avanços científicos e tecnológicos e os desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento da doença.
O encontro reforçou uma das principais propostas do Café com Ciência: aproximar o conhecimento produzido em laboratórios e instituições de pesquisa da realidade vivenciada pelos profissionais e pacientes. Para o diretor do NEPI, Dr. Virgílio Baião Carneiro, essa aproximação é especialmente importante diante da velocidade dos avanços na Oncologia.
“O desenvolvimento da Oncologia é muito rápido e aborda aspectos, às vezes, muito técnicos, que os profissionais da área médica nem sempre têm a oportunidade de acompanhar. O Café com Ciência é uma oportunidade de atualização”, destacou.
Da pesquisa ao cuidado do paciente
Entre os temas discutidos durante o encontro esteve a aplicação dos avanços científicos na definição de estratégias mais individualizadas para os pacientes. O palestrante Pedro Vilar, biólogo, doutor e mestre em Imunologia, destacou que a pesquisa oncológica tem avançado na compreensão das características moleculares dos tumores, permitindo pensar em tratamentos cada vez mais específicos.
“Não é tratar todo mundo da mesma maneira, mas entender a doença naquele paciente e, a partir desse paciente, estabelecer o tratamento mais adequado”, explicou.
Segundo o pesquisador, o desafio está justamente em transformar a produção científica em ferramentas capazes de chegar à prática clínica. “A pesquisa e a inovação contribuem para o diagnóstico e tratamento quando, em conjunto, trazem a aplicação científica não só para produzir um artigo, mas para entregar tecnologia de ponta e possibilitar que isso impacte diretamente num tratamento específico”, afirmou.
Para Dra. Letícia, gerente do Laboratório de Pesquisa Básica e Translacional do Mário Penna e moderadora do encontro, aproximar a pesquisa do cuidado também significa ampliar o acesso dos pacientes a novas possibilidades.
“Integrar a pesquisa desenvolvida com o cuidado do paciente é permitir muitas vezes o acesso do paciente através da pesquisa. É a oportunidade que a pesquisa traz de acesso para o paciente do SUS como promoção de equidade”, afirmou.
Novas tecnologias para o diagnóstico
A programação também apresentou pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novas ferramentas para o diagnóstico e acompanhamento do câncer colorretal. A palestrante Estefânia Mara Martins, pesquisadora do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), apresentou o desenvolvimento de um biossensor óptico para monitoramento da doença a partir da dosagem do biomarcador CEA.
A proposta é desenvolver uma estratégia que permita realizar a dosagem do marcador de forma mais rápida, simples e acessível, contribuindo para as decisões clínicas ao lado da avaliação médica e dos exames de imagem.
“A nossa pesquisa científica pode contribuir para trazer o diagnóstico para o ponto de atendimento do paciente, contribuindo com isso para as tomadas de decisões na clínica”, explicou Estefânia.
Para a pesquisadora, o diálogo com profissionais que atuam diretamente na assistência também é importante para direcionar o desenvolvimento tecnológico às necessidades reais dos pacientes.
Pesquisa, ensino e assistência em diálogo
Realizada na Faminas, a 19ª edição também reforçou a aproximação entre instituições de ensino e saúde. Para Gustavo Oliveira Gonçalves, coordenador de Biomedicina da Faminas, receber o Café com Ciência contribui para aproximar estudantes da realidade da pesquisa e da assistência.
“A assistência, a pesquisa e o ensino estão unidos. Precisamos fomentar cada vez mais eventos como esse, que aproximem profissionais e estudantes e coloquem a realidade da ciência como um processo de transformação e de serviço para a saúde brasileira”, afirmou.
A integração entre diferentes áreas também esteve presente na proposta do encontro, que reuniu profissionais da pesquisa, médicos e estudantes para discutir os caminhos do cuidado ao paciente com câncer colorretal.
Ciência que chega à prática
Ao longo da programação, o conceito de “ir além da prevenção” esteve relacionado à necessidade de integrar diferentes etapas do cuidado, desde a produção do conhecimento até sua aplicação na assistência.
Para Dra. Letícia, esse movimento é especialmente relevante diante do crescimento do câncer colorretal entre pessoas mais jovens e da necessidade de ampliar as estratégias de cuidado.
“Ir além da prevenção significa, no século XXI, mais do que uma palavra de ordem, significa uma prática. Precisamos cada vez mais integrar o conhecimento gerado na bancada dos laboratórios com os pacientes no leito”, destacou.
Para Pedro Vilar, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, a mudança de hábitos continua sendo um componente importante no enfrentamento da doença. “Em relação ao câncer colorretal, a prevenção e a mudança de estilo de vida são sempre o melhor remédio”, afirmou.
A 19ª edição do Café com Ciência reforçou, assim, o compromisso do NEPI com a disseminação do conhecimento, a educação continuada e a aproximação entre pesquisa e assistência. Mais do que compartilhar descobertas, o encontro abriu espaço para discutir como a ciência pode se transformar em novas ferramentas, estratégias e possibilidades de cuidado para os pacientes oncológicos.



