O Hospital Luxemburgo, unidade do Instituto Mário Penna e referência no atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), está entre os hospitais de Belo Horizonte contemplados por medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer.
As iniciativas incluem a oferta de nove medicamentos para 13 indicações oncológicas, além de novos protocolos e procedimentos para fortalecer a assistência aos pacientes da rede pública.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em São Paulo, durante uma reunião realizada na terça-feira, 20 de outubro. Em Belo Horizonte, representantes do Ministério da Saúde acompanharam a apresentação das medidas e discutiram seus possíveis impactos para a assistência especializada. A agenda ocorreu simultaneamente em diferentes cidades do país.
Para Marco Antônio Viana Leite, presidente da Rede Mário Penna, ampliar o acesso às alternativas de tratamento é fundamental para fortalecer a assistência oferecida pelo SUS.
“Ampliar o acesso ao tratamento oncológico no SUS é fundamental para que mais pacientes tenham a oportunidade de receber o cuidado de que precisam. O fortalecimento do sistema público e a incorporação de novas tecnologias contribuem para uma assistência mais abrangente e para que instituições como o Mário Penna continuem cumprindo seu compromisso com os pacientes.”
Medidas buscam reduzir filas e ampliar o acesso ao tratamento
Durante a reunião, Arthur Lobato Barreto Mello, diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, destacou que as medidas representam um avanço para o atendimento de alta complexidade no SUS, especialmente diante dos desafios de acesso a exames, diagnóstico e tratamento.
“Foi um avanço muito importante para toda a alta complexidade do Sistema Único de Saúde. Aquele procedimento mais caro, aquele procedimento mais de difícil acesso, foi um movimento muito potente do Ministério da Saúde para reduzir as filas de espera, não só para exames, mas também para o diagnóstico, para o tratamento, para o cuidado desse paciente como um todo”, afirmou.
Segundo o representante do Ministério, as ações buscam fortalecer toda a linha de cuidado oncológico, desde a identificação da doença até a realização do tratamento. As iniciativas incluem a atualização de valores pagos por procedimentos, com o objetivo de contribuir para a sustentabilidade dos serviços de saúde e garantir melhores condições para a oferta de atendimentos diagnósticos e terapêuticos.
“Foi anunciada uma série de medidas que apontam não só para o tratamento, mas para toda a linha de cuidado, que vai desde o diagnóstico, no tempo adequado, com tecnologias adequadas, com exames de alta tecnologia, seguindo para a necessidade de tratamento e de intervenção”, explicou Arthur Mello.
Novos medicamentos e protocolos para diferentes tipos de câncer
Entre as novidades anunciadas estão nove medicamentos destinados a 13 indicações oncológicas, com implementação gradual no SUS. A expectativa é ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis para pacientes com diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de mama, estômago, rim, próstata, pulmão e tireoide, além de alguns casos de leucemia e linfoma.
O anúncio também contempla 12 novos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas relacionados a diferentes tipos de câncer, além da incorporação de medicamentos ao novo modelo de assistência farmacêutica em oncologia.
“Hoje a gente está apresentando 12 novos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas relacionados a diferentes tipos de câncer, incorporando novos medicamentos que vão estar sendo implementados de forma gradual no novo modelo de componente de pagamento da assistência farmacêutica. São medicamentos de altíssimo custo que agora vão estar sendo disponibilizados para 13 indicações, de diferentes tipos de câncer, garantindo o cuidado para os nossos pacientes”, afirmou Arthur.
As mudanças também incluem a atualização de valores na tabela do SUS para procedimentos diagnósticos e terapêuticos. A medida busca contribuir para que os serviços de saúde tenham condições de manter a oferta desses atendimentos e ampliar a capacidade de assistência.
Rastreamento e diagnóstico precoce também são prioridades
Além do tratamento, o Ministério da Saúde anunciou medidas para fortalecer o rastreamento e o diagnóstico precoce, especialmente para pessoas que vivem longe dos grandes centros e enfrentam mais dificuldades para chegar aos serviços especializados.
Uma das iniciativas é a implementação do teste imunoquímico fecal (FIT), utilizado no rastreamento do câncer colorretal. Realizado na atenção primária, o exame pode ajudar a identificar pacientes que precisam de investigação complementar e agilizar o encaminhamento para diagnóstico e tratamento.
O representante também destacou avanços nas tecnologias utilizadas para o rastreamento do câncer do colo do útero, com a perspectiva de melhorar a qualidade do diagnóstico realizado na atenção básica.
Para o Dr. José Mourão Neto, diretor técnico-assistencial do Instituto Mário Penna, o acesso a novas tecnologias precisa estar associado a um cuidado integrado, que acompanhe o paciente desde a investigação da doença até a realização do tratamento.
“Na oncologia, o cuidado precisa acontecer de forma integrada, desde a investigação diagnóstica até a definição e a realização do tratamento mais adequado. A ampliação do acesso a medicamentos e procedimentos é um avanço importante, assim como garantir que essas tecnologias cheguem aos pacientes no momento certo, com acompanhamento especializado ao longo de toda a jornada.”



