A Inteligência Artificial (IA) vem transformando o combate ao câncer ao levar a medicina de precisão direto para a beira do leito. Na prática, a IA auxilia na organização do fluxo de dados dos hospitais, refina o diagnóstico por imagem e serve como um segundo “par de olhos” para apoiar as decisões médicas.
Descobrir a doença cedo e começar o tratamento rápido salva vidas. Isso é valioso em qualquer contexto, mas é vital para o tratamento do câncer de óvario, especialmente o carcinoma seroso de alto grau (HGSOC) – um dos tumores ginecológicos mais agressivos.
A união que gera inovação!
Foi durante o primeiro encontro da Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia (ReMPTO) que o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Mário Penna uniu forças com o MCMEG (Monte Carlo Modelling Expert Group), grupo de pesquisa coordenado pela professora Dra. Telma Cristina Ferreira Fonseca, do Departamento de Engenharia Nuclear da UFMG. Juntos, o grupo decidiu enfrentar um desafio e trabalhar em um projeto inovador para mudar o futuro das pacientes com câncer de ovário – identificar o “ponto fraco” do tumor através das imagens.
Sabe-se que o HGSOC pode responder bem às chamadas terapias direcionadas e entre os tratamentos mais eficazes estão os inibidores de PARP (iPARP). Esses inibidores aproveitam de um defeito genético que impede as células tumorais de consertarem o seu próprio DNA. Mas, para descobrir se a paciente tem esse defeito no tumor, é preciso fazer exames genéticos muito caros, complexos e demorados. Infelizmente, essa tecnologia ainda está fora da realidade da maioria dos hospitais brasileiros.
Solução inovadora: patologia digital e algoritmos preditivos
É exatamente nesse ponto que o grupo atua. O objetivo principal do projeto é desenvolver um algoritmo de IA capaz de classificar regiões tumorais diretamente em imagens histológicas (as lâminas de biópsia digitalizadas).
A tecnologia funciona da seguinte forma: o algoritmo analisa microscopicamente os padrões visuais, texturas e a organização celular do tecido tumoral e, a partir dessa análise visual, a IA consegue prever o status de mutação, sem a necessidade imediata de um teste genético molecular caro. Assim, o sistema identifica de forma rápida e automatizada quais pacientes têm maior probabilidade de carregar a mutação e, consequentemente, de se beneficiarem dos iPARP.
Impacto prático
O sucesso deste projeto representará um salto para a oncologia de precisão no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao democratizar e acelerar a identificação do perfil genético do tumor por meio de ferramentas computacionais, os resultados possibilitarão:
- Reduzir o tempo de espera entre o diagnóstico e o início do tratamento ideal;
- Otimizar os recursos do SUS;
- Aumentar as taxas de sobrevida e a qualidade de vida das pacientes, garantindo que a terapia certa chegue à pessoa certa no momento correto.
Com iniciativas como esta, o NEPI reafirma o papel do Instituto Mário Penna não apenas como um centro de assistência e acolhimento, mas como um centro gerador de ciência, inovação e tecnologia voltadas para salvar vidas.
Texto escrito por Izabela Ferreira Gontijo de Amorim – Pós-doc da Rede Mineira de Pesquisa Translacional em Oncologia e professora da Faminas-BH.



