A medicina vive uma era de inovações sem precedentes. Diariamente, a ciência nos surpreende com novos medicamentos de precisão, cirurgias minimamente invasivas e terapias revolucionárias. No entanto, criar ou descobrir uma nova tecnologia é apenas o primeiro passo de uma longa jornada. Entre o sucesso em um laboratório e o momento em que esse avanço, de fato, beneficia quem mais precisa, há um caminho rigoroso. Afinal, como essas inovações chegam aos pacientes no Brasil?
Na saúde suplementar — ou seja, para os usuários de planos de saúde —, o grande maestro dessa incorporação tecnológica é a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Periodicamente, a agência atualiza o seu Rol de Procedimentos, definindo quais novos exames, tratamentos e cirurgias passam a ter cobertura obrigatória pelos convênios. Para que uma nova tecnologia seja aprovada pela ANS, ela passa por análises minuciosas que comprovam sua eficácia, segurança e superioridade clínica em relação ao que já é oferecido.
Mas a saúde e a inovação não podem ser privilégios de poucos. É fundamental que esses avanços atravessem as pontes da saúde pública e cheguem ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse cenário, o papel principal é da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Quando um novo tratamento demonstra não apenas ser revolucionário, mas também seguro e viável para a realidade do país, a Conitec avalia e recomenda sua inclusão na rede pública. Muitas vezes, tecnologias que se mostram bem-sucedidas na saúde suplementar acabam por orientar e acelerar essa transição para o SUS.
Mas o que tudo isso significa na prática? Significa esperança e qualidade de vida na “ponta da linha” — ou seja, no leito do hospital, durante o atendimento ao paciente.
No Instituto Mário Penna, o maior prestador de serviços oncológicos do SUS em Minas Gerais, o impacto dessas incorporações tecnológicas é vivenciado diariamente. Quando uma nova terapia-alvo ou um equipamento de radioterapia de última geração é incorporado ao sistema, seja via saúde suplementar ou via SUS, nossa instituição trabalha de forma ágil para integrar esse avanço aos nossos protocolos. Assim como nossas pesquisas no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação buscam atalhos seguros, como o reposicionamento de fármacos, nossa assistência clínica está sempre atenta às novas incorporações ditadas pela ANS e pela Conitec.
É com esse mesmo espírito de encurtar distâncias que atua o Laboratório de Pesquisa Translacional em Oncologia do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação. O foco central da equipe é a busca por novos biomarcadores, indicadores biológicos que nos ajudam a compreender como cada tumor se comporta e a prever a resposta a um tratamento específico. Ao investigar essas assinaturas moleculares, nosso laboratório trabalha para que a medicina de precisão deixe de ser uma realidade restrita e se torne uma ferramenta acessível, capaz de impactar positivamente, e de forma direta, a vida do paciente oncológico atendido pelo SUS.
O grande propósito institucional é garantir que a distância entre a inovação tecnológica e o paciente seja a menor possível. Afinal, a tecnologia só atinge seu verdadeiro potencial quando sai do papel e se transforma em cuidado, em tratamentos eficientes e em mais chances de cura para milhares de pessoas que enfrentam o câncer.
Para saber mais sobre como o Instituto Mário Penna alia tecnologia, pesquisa e assistência de excelência, fiquem atentos aqui às nossas publicações e acompanhem-nos em nossas redes sociais.
Texto escrito pelo pesquisador do NEPI, Biólogo, Mestre e Doutor em Ciências da Saúde pela Fiocruz – Instituto René Rachou, Fábio Ribeiro Queiroz.



