Fortalecer a comunicação entre os serviços de saúde e garantir que o paciente com câncer percorra sua jornada assistencial de forma segura, integrada e oportuna. Esse foi o objetivo do seminário “Navegação do Paciente Oncológico: Integrando a Rede para um Cuidado Seguro e Oportuno”, realizado no dia 17 de setembro pela Oncologia Betim, do Instituto Mário Penna, em parceria com a Rede de Atenção à Saúde do município.
A iniciativa reuniu profissionais de diferentes pontos da rede para discutir os desafios enfrentados por pacientes desde a suspeita da doença até o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento. A programação foi conduzida pelas enfermeiras Larissa Evaristo e Thais Coelho, que compartilharam conhecimentos e experiências sobre a navegação do paciente oncológico.
A capacitação faz parte de uma estratégia de educação permanente prevista na parceria entre o município e o Instituto Mário Penna, com encontros periódicos voltados ao fortalecimento da integração e à qualificação da assistência.
Navegação como ferramenta para um cuidado mais seguro
A navegação do paciente oncológico busca orientar e acompanhar o usuário ao longo das diferentes etapas do cuidado, contribuindo para identificar barreiras, organizar fluxos e facilitar a comunicação entre os serviços.
Para a enfermeira Larissa Evaristo, coordenadora do Ambulatório de Oncologia Sul de Betim, a integração da rede é fundamental para evitar que o paciente se perca durante o percurso assistencial.
“A gente espera que cada um entenda o seu papel, para que esse paciente consiga compreender todo o processo do tratamento, com acolhimento, orientação e cuidado. O cuidado central tem que ser no paciente.”
A profissional destaca que a navegação deve começar desde a atenção primária, acompanhando o paciente nas diferentes possibilidades de tratamento, como quimioterapia, radioterapia, cirurgia e cuidados paliativos.
Entre os principais desafios estão a falta de uma rede de apoio, as dificuldades de compreensão sobre os fluxos de atendimento e a comunicação insuficiente entre os serviços. Esses fatores podem contribuir para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento.
De acordo com Larissa, a legislação estabelece o prazo de até 30 dias para a realização dos exames necessários à confirmação diagnóstica, quando há suspeita de câncer, e de até 60 dias para o início do tratamento após a confirmação do diagnóstico, conforme as condições previstas em lei.
Integração entre município e Instituto Mário Penna
O Instituto Mário Penna atua em Betim na prestação de assistência integral na linha de cuidado oncológico, desde a alta suspeição e o diagnóstico até o tratamento. Para Cristiano Abreu, diretor de Regulação da Prefeitura de Betim, a articulação entre os diferentes níveis de atenção é essencial para garantir que o paciente seja acompanhado ao longo de todo o processo.
“Ter uma rede em que todos conversam possibilita que tenhamos um paciente acompanhado desde a suspeita, o diagnóstico e o tratamento até a cura e o acompanhamento após o tratamento.”
Cristiano também destaca a contribuição da experiência do Mário Penna para a qualificação da assistência no município.
“A Rede Mário Penna trouxe para Betim inovação no processo do cuidado e a expertise que tem em muitos anos de atendimento e acompanhamento do paciente oncológico. Isso traz segurança e qualidade para o tratamento.”
A parceria busca aproximar os profissionais da atenção primária, da atenção especializada e da atenção hospitalar, fortalecendo a compreensão sobre o papel de cada serviço na jornada do paciente.
Educação permanente para qualificar a assistência
A realização de encontros periódicos é uma das estratégias previstas na relação entre a Prefeitura de Betim e o Instituto Mário Penna. Segundo Débora Soares Piotto Jardim, supervisora ambulatorial dos contratos da Saúde Complementar da Diretoria de Regulação, Avaliação e Controle do município, a capacitação favorece a integração, a troca de experiências e a melhoria contínua do atendimento.
“Quanto mais conhecimento a gente tem, mais desenvolvemos um pensamento crítico para melhorar a nossa assistência.”
Para a profissional, a aproximação entre as equipes permite que os profissionais conheçam melhor suas atribuições e atuem de forma conjunta, com foco nas necessidades do paciente.
A enfermeira Thais Coelho, navegadora do Instituto Mário Penna em Betim, reforça que encontros como o seminário ajudam cada setor a compreender como pode contribuir para que o paciente chegue ao tratamento no tempo adequado.
“Cada setor vai conseguir compreender o que pode estar fazendo para auxiliar e ajudar o paciente a chegar ao tratamento. Esse é o nosso objetivo.”
Cuidado centrado no paciente
Mais do que promover a troca de conhecimentos, o seminário reforça a importância de uma rede articulada, capaz de oferecer continuidade e resolutividade ao cuidado oncológico. A proposta é que os profissionais reconheçam os impactos de suas ações no percurso do paciente e trabalhem de maneira integrada para reduzir barreiras e qualificar a assistência.
Ao contribuir para a capacitação das equipes e para o fortalecimento dos fluxos entre os serviços, o Instituto Mário Penna reafirma seu compromisso com a melhoria do atendimento oncológico e com a construção de uma assistência cada vez mais segura, humanizada e centrada nas necessidades de cada paciente.



