Duas pesquisas desenvolvidas por alunas de iniciação científica do Instituto Mário Penna foram reconhecidas em importantes eventos científicos. Ana Luísa Barbosa Silva conquistou o primeiro lugar na apresentação de trabalhos do Congresso Mineiro de Ginecologia da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Minas Gerais (SOGIMIG), enquanto Dayane Freitas Diniz recebeu Menção Honrosa na modalidade Apresentação Oral – Categoria Graduandos, durante o XVIII Curso de Inverno em Imunologia. Os trabalhos abordam, respectivamente, os desafios do tratamento de um tumor raro e as características moleculares do câncer de mama.
As conquistas refletem o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEPI) do Instituto Mário Penna, que promove a formação científica de estudantes e estimula a produção de conhecimento voltado aos desafios da oncologia.
Estudo aborda tumor raro e preservação da fertilidade
O trabalho apresentado por Ana Luísa, intitulado “Desafios no manejo oncológico e reprodutivo de paciente portadora de tumor do seio endodérmico: um relato de caso”, foi desenvolvido em colaboração com pesquisadores do NEPI.
O estudo analisa o caso de uma paciente de 18 anos diagnosticada com tumor do seio endodérmico, uma neoplasia maligna rara originada de células germinativas primitivas. Esse tipo de tumor representa cerca de 1% das neoplasias malignas do ovário e acomete principalmente mulheres jovens, tornando a preservação da fertilidade um desafio importante durante o tratamento.
Os tumores de células germinativas do ovário incluem diferentes tipos, como disgerminoma, tumor do seio endodérmico, carcinoma embrionário, coriocarcinoma e teratoma. Entre os marcadores utilizados no acompanhamento do tumor do seio endodérmico está a alfafetoproteína (AFP), cuja variação pode auxiliar na avaliação da resposta ao tratamento.
No caso estudado, a paciente foi encaminhada à ginecologia oncológica após uma cirurgia de urgência devido à torção de um cisto anexial com suspeita de malignidade. Os exames identificaram uma volumosa massa pélvica e níveis elevados de AFP, além de alterações observadas em tomografias, incluindo lesões compatíveis com disseminação da doença. O diagnóstico foi de tumor do seio endodérmico em estádio IV.
O tratamento foi realizado com quatro ciclos de quimioterapia pelo esquema BEP, que combina bleomicina, etoposídeo e cisplatina. Ao final, os níveis de AFP apresentaram redução significativa, passando de 7.686 ng/mL para 6,2 ng/mL. A paciente também apresentou resposta completa, sem lesões mensuráveis na tomografia, e foi indicada uma cirurgia complementar.
Entretanto, o procedimento foi suspenso após a confirmação de uma gestação não planejada, identificada dois meses depois do término da quimioterapia. Após discussão sobre as possibilidades, a paciente optou por manter a gravidez. Em 2024, seis meses após o parto, foi submetida a cirurgia, que incluiu histerectomia total, anexectomia direita, omentectomia infracólica e ressecção do peritônio. O estudo anatomopatológico não identificou malignidade.
A paciente permaneceu em acompanhamento ambulatorial, sem evidências de recidiva. O caso reforça a importância da avaliação individualizada na definição da conduta terapêutica, especialmente em pacientes jovens, considerando tanto o controle da doença quanto os aspectos reprodutivos.
O estudo também destaca a elevada sensibilidade dos tumores do seio endodérmico ao esquema BEP e os avanços no tratamento dessas neoplasias, que têm contribuído para melhores prognósticos e ampliado as possibilidades de preservação da fertilidade em pacientes com desejo reprodutivo.
Pesquisa investiga características moleculares do câncer de mama
A segunda conquista foi alcançada por Dayane Freitas Diniz, reconhecida com Menção Honrosa durante o XVIII Curso de Inverno em Imunologia.
O trabalho, intitulado “Caracterização do perfil mutacional de pacientes com câncer de mama Luminal B por sequenciamento de nova geração”, recebeu destaque na modalidade Apresentação Oral – Categoria Graduandos, em reconhecimento à qualidade da apresentação e à relevância científica da pesquisa.
O estudo investiga o perfil mutacional de pacientes com câncer de mama do subtipo Luminal B por meio do sequenciamento de nova geração, técnica que permite analisar alterações genéticas presentes nos tumores.
A pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre as características moleculares desse subtipo de câncer de mama e pode ajudar a aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos na doença e nos desafios relacionados ao tratamento oncológico.
NEPI alia formação, pesquisa e assistência
Os reconhecimentos conquistados pelas estudantes destacam a atuação do Núcleo de Ensino e Pesquisa do Instituto Mário Penna na formação de novos pesquisadores e na produção de conhecimento aplicado à oncologia.
Ao aproximar estudantes da pesquisa científica, o NEPI cria oportunidades para o desenvolvimento acadêmico e para a participação em estudos que partem de questões relevantes para a prática oncológica. Essa integração entre formação, investigação científica e assistência fortalece a produção de conhecimento dentro da instituição.
Para o Instituto Mário Penna, os resultados também representam o trabalho conjunto de estudantes, pesquisadores e orientadores, que contribuem para o avanço da ciência e para a formação de profissionais preparados para os desafios da oncologia.
O Instituto Mário Penna parabeniza Ana Luísa, Dayane e todos os pesquisadores e orientadores envolvidos nas pesquisas e nas conquistas, que reforçam o compromisso da instituição com a ciência, a formação e a inovação a serviço da vida.



