No combate ao câncer, a ciência médica atua como uma equipe de investigação de alta precisão. No Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Mário Penna, pesquisadores dedicam-se diariamente a rastrear pistas invisíveis a olho nu, mas fundamentais para entender a evolução da doença. O grande aliado nessa missão é o setor de Citometria de Fluxo, que permite analisar o comportamento de estruturas microscópicas conhecidas como Células Tumorais Circulantes (CTCs).
O Fascinante Desfile em Fila Indiana
Mas como funciona, na prática, essa tecnologia? O citômetro de fluxo opera de uma maneira surpreendente e fascinante. Ao introduzirmos uma amostra líquida no equipamento, as células são conduzidas por um fluxo contínuo que as organiza perfeitamente em uma fila indiana — passando rigorosamente uma atrás da outra.
Esse “desfile” microscópico e ordenado direciona cada célula até uma câmara central. Ali, múltiplos lasers incidem sua luz diretamente sobre cada indivíduo da fila. A forma como a luz se espalha e reflete revela informações cruciais sobre o tamanho, a complexidade e a estrutura interna de cada unidade analisada.
Assim como a impressão digital identifica de forma única cada cidadão em um sistema de segurança, a marcação de receptores funciona como uma biometria de alta precisão para as células que navegam pela nossa corrente sanguínea.
A “Impressão Digital” dos Tumores
Para ir além da estrutura física e obter uma identificação exata, a equipe de cientistas do NEPI realiza um mapeamento molecular. Os pesquisadores utilizam marcadores específicos para sinalizar os receptores presentes na superfície dessas células.
Essa abordagem funciona exatamente como uma biometria por impressão digital. Com essa leitura digital e molecular detalhada, conseguimos descobrir com precisão absoluta quais tipos de células estão circulando pelo corpo do paciente e, o mais importante: identificar se alguma delas se desprendeu de um tumor e ganhou a corrente sanguínea.
O Futuro do Cuidado Personalizado
O monitoramento contínuo do movimento dessas células pelo organismo poderá abrir portas para uma nova era na oncologia. Para o futuro, o Instituto Mário Penna projeta converter esses dados científicos em inovações reais à beira do leito, impactando diretamente o diagnóstico precoce, a avaliação do prognóstico e a escolha de terapias.
O objetivo final da pesquisa é desenhar estratégias de medicina personalizada de extrema precisão, direcionando os tratamentos com base no comportamento exato das células de cada paciente, combatendo sua migração pelo corpo com o intuito claro e definitivo de eliminá-las totalmente.
Dr. Vitor Hugo Simões Miranda – Especialista em Citometria de Fluxo e Pesquisador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Mário Penna e da FioCruz – Minas



