O câncer é a segunda maior causa de morte no Brasil, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Existem mais de 200 tipos de câncer reconhecidos histologicamente, sendo que os tratamentos mais comuns incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e imunoterapia. A radioterapia, essencial no tratamento de pacientes com câncer, está em constante evolução, com avanços tecnológicos e científicos que permitem melhorar ainda mais os resultados do tratamento.
O câncer de pele é o mais comum entre os tipos de tumores, sendo responsável por mais da metade dos tumores malignos diagnosticados anualmente no mundo. Embora a radioterapia se mostre praticamente restrita aos tumores malignos, o seu uso também se aplica a algumas enfermidades benignas, apresentando bons resultados. Um exemplo é a inibição do crescimento de queloides, que são tumores benignos da derme que, por se estenderem além das bordas da ferida, acabam sendo associados a deformações cosméticas. Os sintomas, além da dor, são pruridos ou sensação de queimação, impac
tando negativamente na qualidade de vida do paciente sob os pontos de vista estético, psicológico e funcional, justificando assim o uso da radioterapia para estes casos.
A cirurgia para remover queloides é comumente fornecida como tratamento. Porém, esse procedimento isoladamente mostra taxas de recidiva entre 50 a 80% dos casos tratados. A excisão cirúrgica conjugada com radioterapia pós-operatória acaba sendo uma opção para prevenir a recorrência do queloide.
A braquiterapia é uma modalidade de tratamento de radioterapia valorizada devido aos excelentes resultados no tratamento de tumores em localização desfavorável, permitindo ainda dano mínimo nos tecidos saudáveis no seu entorno. Ela tem sido utilizada em pequenas lesões de câncer de pele, usando aplicadores de superfície. Para tratar com a braquiterapia e responder questões pertinentes à distribuição da dose prescrita, o Departamento de Física do Hospital Luxemburgo desenvolveu um aplicador dermatológico constituído de 15 esferas de material sintético de baixo custo (foto maior). Ele é percorrido por uma fonte de radiação para tratar tumores superficiais, em especial o queloide.
A validação dosimétrica do aplicador foi tema da primeira dissertação de mestrado totalmente executada dentro do Hospital Luxemburgo. O mestrado, defendido pelo estudante Juan Carlos Lamônica, ocorreu no dia 20 de junho e teve a colaboração dos Departamentos de Engenharia Nuclear e de Anatomia e Imagem, ambos da UFMG, que participaram do projeto para sua validação externa.
Do Hospital Luxemburgo participaram os físicos Clara Bicalho e Jony Marques, coorientador do mestrado, além do médico Arnoldo Mafra. A dissertação foi aprovada com méritos e consolida uma parceria do Instituto Mario Penna com as instituições envolvidas.
*Texto escrito por Jony Marques, físico do Instituto Mário Penna







O Instituto tem sido um farol de esperança para aqueles que lutam contra o câncer. Hoje, e cada vez mais, a instituição é referência em atendimento oncológico de qualidade não só em Minas, mas em todo o Brasil. Cerca de mil pacientes passam diariamente pela instituição, provenientes de mais de 500 municípios. Mensalmente, são realizados em torno de 25 mil procedimentos. Classificado pelo Ministério da Saúde como Centro de Assistência de Alta Complexidade Oncológica (CACON), no último ano, o Instituto Mário Penna realizou mais de 323 mil atendimentos, 40.528 sessões de radioterapia, 37.224 mil sessões de quimioterapia, 32 transplantes de medula óssea e quase 13 mil cirurgias. Mais de 139 mil pacientes passam anualmente nas instalações da instituição, que sobrevive de doações e apoio de parceiros. Sua estrutura é composta pelo Hospital Luxemburgo, Casa de Apoio Beatriz Ferraz, Núcleo de Especialidades Oncológicas (NEO), o Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação, além do Núcleo de Excelência em Saúde, nova unidade que será inaugurada no final de junho.


