No mês de maio, o Instituto Mário Penna abraça a campanha de conscientização e combate ao câncer cerebral. O surgimento e desenvolvimento de tumores nessa região comprometem a harmonia e o bom funcionamento das atividades vitais, desde os processos simples até os mais complexos. Por isso, o Maio Cinza traz atenção para este tema.
Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento tumoral na região estão os aspectos hereditários, mas também causas externas, como exposição à radiação, ou doenças autoimunes.
De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), haverá cerca de 11.490 novos casos de câncer do sistema nervoso central (composto por cérebro e medula espinhal) no Brasil, sendo 6.110 casos em homens e 5.380 em mulheres a cada ano do triênio de 2023 a 2025. Esses dados evidenciam as grandes proporções que envolvem esse sistema e a necessidade de acompanhamento médico integral caso haja suspeita no diagnóstico deste tipo de câncer.
Dr. Leonardo Wendling- Médico Neurologista
No Instituto Mário Penna, em 2022, foram realizados 841 cirurgias e 3.842 procedimentos neurocirúrgicos relacionados ao câncer cerebral. “Especificamente no Mário Penna, como um centro de tratamento oncológico e o maior centro de Minas Gerais, a gente lida com esses tumores de uma maneira muito frequente. A equipe da Neurocirurgia, Radioterapia e Oncologia do Luxemburgo é especializada nesse tipo de doença. O que a gente precisa é aumentar a atenção para que possamos melhorar ainda mais o tratamento desses pacientes.” afirma Dr. Leonardo Wendling, Médico Neurologista do Mário Penna.
O diagnóstico precoce é um ponto crucial para o aumento nas chances de cura. Por isso, é indispensável se atentar a sinais comuns que podem ajudar na identificação desse tipo de câncer. Convulsões, dor de cabeça excessiva, alterações motoras, visuais, hormonais e mudanças cognitivas são sinais de alerta. As formas de tratamento utilizadas são a quimioterapia, radioterapia ou cirurgia a depender da proporção, região e natureza do tumor.
Fique atento aos sintomas e procure um especialista sempre que preciso. O câncer diagnosticado precocemente tem maiores chances de cura.
A plataforma online de exercícios físicos Queima Diária foi uma das grandes parceiras do Instituto Mário Penna durante a campanha Março Lilás. A instituição uniu a solidariedade com o objetivo de incentivar uma vida mais ativa, e se juntou à plataforma para fazer o bem. Com o tema “o autocuidado nunca sai de moda”, o mês dedicado à conscientização do câncer de colo de útero recebeu o apoio da empresa e também trouxe benefícios a quem se juntou nessa corrente.
Todas as pessoas que doaram valores acima de R$ 15,00 no período de 27 de março a 30 de abril receberam 60 dias de acesso grátis à plataforma. Os doadores puderam aproveitar mais de 90 programas de exercícios físicos para treinarem onde e quando quiserem. Além disso, o valor arrecadado possibilita o aprimoramento do atendimento do Instituto Mário Penna para mais de 500 municípios mineiros e 323 mil pacientes anuais. No total, 54 pessoas abraçaram essa parceria, totalizando R$ 20.882,42 inteiramente revertidos ao tratamento oncológico.
Com esse valor, é possível cobrir a diferença entre o custo e o valor repassado pelo SUS para procedimentos que o Instituto Mário Penna arca com parte da despesa. A arrecadação da parceria com a Queima Diária nos permite a realização de 126 mamografias ou 409 ressonâncias magnéticas, que são exames essenciais para o diagnóstico do câncer, detecção precoce e tratamento mais eficaz.
Nas redes sociais, a campanha teve o alcance de 89.238 usuários e 163.033 impressões. O Instituto contou também com o apoio da treinadora Agatha Versiani e do treinador Leo Gontijo para expandirem essa parceria e potencializarem a mensagem de conscientização do câncer de colo de útero.
Patrícia Castro, colaboradora do Instituto Mário Penna, foi uma das doadoras que aproveitaram a parceria. “Adorei os programas da Queima Diária! Foi uma oportunidade de cuidar ainda mais da minha saúde através dos exercícios físicos. O melhor de tudo é que ainda exerci a minha solidariedade para uma causa tão importante quanto a do Instituto Mário Penna”.
O Dia Mundial sem Tabaco, destinado ao combate do tabagismo, é celebrado em 31 de maio. O tabagismo é uma doença causada pelo vício em cigarros ou produtos que contenham tabaco, cujo componente gerador de dependência é a nicotina. A enfermidade é uma das causadoras de várias doenças, incluindo cânceres como os de fígado, cólon, reto, cólon de útero, língua, laringe, pâncreas, esôfago, entre outros. Dr. Erlon Avila, cirurgião torácico do Instituto Mário Penna destaca que o tabagismo tem uma relação direta com o diagnóstico de câncer por vários fatores. Ele conta que em 2016 saiu um estudo interessante da revista Science, que mostrou esse mecanismo que o tabagismo possui de causar mutações no DNA. Essas mutações se tornam cada vez maiores e mais agressivas. Então, ele tem essa capacidade mutagênica em todos os órgãos do corpo.
Apesar de os problemas de saúde afetarem majoritariamente os fumantes, existe uma incidência de casos de afetação em não fumantes, o chamado tabagismo passivo. Neste caso, a inalação da fumaça de tabaco ocorre de maneira indireta, pela exposição do não fumante ao ambiente cujo ar esteja sujeito às toxinas.
Dr. Erlon Avila – Cirurgião Torácico
Ainda, outro ponto relevante, é a questão envolve a devastação ambiental com o cultivo, geração de resíduos da produção que contaminam o ambiente, e a fumaça gerada pelo consumo, ocasionando a poluição, por exemplo.
Para a identificação e tratamento dos pacientes, o cirurgião menciona algo importante: “Existe um protocolo de rastreamento com tomografia de baixa dosagem em que o paciente tabagista vai ter que se enquadrar em um certo protocolo, uma certa idade, uma certa carga tabágica. Ele faz essa tomografia de baixa dosagem justamente para ter esse rastreamento à procura de um nódulo pulmonar inicial e suspeito. São necessárias, aproximadamente, 320 tomografias de baixa dosagem para a gente conseguir salvar uma vida fazendo a cirurgia.”
Essa situação envolve uma análise que ultrapassa uma questão individual, abrange uma dimensão coletiva quanto à superação do vício. Ao longo dos anos, após a cessação do hábito, a chance de desenvolver um câncer volta a ser aproximada à de uma população que nunca fumou. Este é um fator importante para minimizar os casos da doença e as sequelas geradas.
No mês de maio, a parceria entre Instituto Mário Penna e Correios completa 1 ano repleta de solidariedade. A doação através das agências já arrecadou R$ 32.061,20 (valor até março). Todo esse valor é 100% revertido para o tratamento de milhares de pacientes oncológicos provenientes de mais de 500 municípios mineiros que são atendidos diariamente na instituição. A solidariedade que cerca essa parceria só é possível pelos milhares de doadores que se sensibilizam com a causa do Instituto Mário Penna, e pela confiança e apoio dos Correios.
“As conquistas que alcançamos nesse ano de parceria com os Correios impactam diretamente na melhoria da qualidade do atendimento aos nossos pacientes. Agradecemos a todos pelo empenho em nos ajudar a salvar vidas. Minha gratidão a todos que fazem as doações. Vocês fazem a diferença na vida de milhares de pacientes oncológicos que tanto precisam”; ressalta Israel Gonzaga, Diretor Administrativo e de Relações Institucionais do Instituto Mário Penna.
Charles é o vendedor destaque da Agência AC Arão Reis e recebeu um prêmio pela grande ajuda destinada ao Mário Penna. “O que me motiva é a possibilidade de ajudar o próximo. Temos que evoluir enquanto pessoas e uma forma bacana de fazer isso é ajudando a quem precisa! Ninguém sabe do futuro e toda ajuda se torna muito importante quando se trata de uma doença tão agressiva. Um hospital bem equipado e moderno certamente faz muita diferença na superação da doença. Mesmo que sejam cinco reais, ações como essa nos possibilitam juntar pessoas em prol de uma causa em comum e fazer a diferença”, ressalta Charles.
Como doar pelos Correios
Para doar pelos Correios, basta você chegar até o seu atendente na agência e pedir para destinar um valor para ajudar a instituição. Dessa forma, o Instituto Mário Penna investe em melhorias estruturais e tecnológicas, além de aprimorar o tratamento e o atendimento para os pacientes.
Instituto Mário Penna
O Instituto Mário Penna é composto pelo Hospital Luxemburgo, uma nova unidade no bairro Santa Efigênia (antigo Hospital Mário Penna), Casa de Apoio Beatriz Ferraz, Instituto Mário Penna – Ensino, Pesquisa e Inovação e Núcleo de Especialidades Oncológicas (NEO). Classificado pelo Ministério da Saúde como Centro de Assistência de Alta Complexidade Oncológica (CACON), em 2022 o Instituto realizou mais de 323 atendimentos, 40.528 mil sessões de radioterapia, 37.227 sessões de quimioterapia, 32 transplantes de medula óssea e quase 13 mil cirurgias.
O Laboratório de Pesquisa Básica e Translacional do Instituto Mário Penna – Ensino, Pesquisa e Inovação dá mais um passo na busca pelo desenvolvimento de técnicas que ampliem e promovam o avanço no tratamento de pacientes. Dessa vez, com a condução de um estudo detalhado a respeito das cicatrizes patológicas, mais especificamente a respeito da cicatriz hipertrófica (produção exagerada de colágeno, fazendo com que a pele fique mais protuberante) e do queloide (crescimento anormal do tecido na cicatriz).
Após um corte, uma queimadura, ou até mesmo uma ferida que surge depois de um procedimento cirúrgico, é comum se formar, naturalmente, um novo tecido de pele para curar a ferida. Quando essas lesões ocorrem, o corpo humano inicia um processo fisiológico de reparo do tecido lesionado, em que inúmeros mediadores inflamatórios são liberados, estimulando a produção de colágeno e, com isso, aquela área de lesão é “fechada”.
Em algumas pessoas, esse processo de cicatrização dura mais tempo do que deveria e, quando isso acontece, essas cicatrizes são consideradas patológicas. A cicatriz hipertrófica é menos intensa, não ultrapassa os limites da ferida e surge em qualquer região do corpo, podendo regredir com o tempo. Já o queloide, além de ser mais conhecido, difere por estender os limites da cicatriz, que se manifesta de forma grossa e com relevo.
Dra. Izabela Ferreira Gontijo de Amorim – autora do texto
A pesquisa do Mário Penna terá como foco o estudo detalhado acerca do microambiente que compõe essas cicatrizes hipertróficas e as cicatrizes queloidianas. Para tanto, várias metodologias serão utilizadas, sendo que uma delas é a imuno-histoquímica (método de localização de antígenos em tecidos, explorando o princípio de anticorpos). O intuito do estudo é identificar as células imunes que infiltram o microambiente e regulam os fibroblastos – considerados células “chave” na lesão – por meio da secreção de citocinas (grande grupo de proteínas que regulam e coordenam muitas atividades das células da imunidade).
As cicatrizes patológicas são, geralmente, originadas por fatores genéticos e apresentam sintomas como coceira, vermelhidão e, às vezes, dor. Ainda hoje, não se sabe se essas cicatrizes representam distúrbios distintos ou se elas possuem algum mecanismo de formação em comum. Para muitas pessoas, tanto a cicatriz queloidiana quanto a hipertrófica são esteticamente incômodas.
A localização das cicatrizes patológicas, o tamanho e a profundidade da lesão determinam o tipo de terapia a ser utilizada. Porém, apesar dos avanços, no que se refere ao tratamento, nenhuma modalidade terapêutica é ideal para todas as lesões. Nesse sentido, muitas vezes os tratamentos podem ser ineficazes, havendo recorrência do problema. Isso faz com que seja ainda maior a necessidade de investigação e estudo na área. Para tanto, a unidade de “Ensino, Pesquisa e Inovação” vem trabalhando na produção de conhecimento e busca fazer a diferença no tratamento multidisciplinar dos pacientes.
O queloide e o paciente oncológico
Compreender de forma mais aprofundada o quelóide é fundamental para ampliar as terapias relacionadas aos tratamentos de pacientes oncológicos. Para Gisele Viana, médica dermatologista do Instituto Mário Penna, há uma importante relação entre o câncer e a cicatriz queloidiana, uma vez que o queloide é considerado hoje, pela maioria dos estudiosos na área, uma lesão tumoral, mesmo sendo um tumor benigno.
“Todo paciente oncológico, a princípio, é um paciente cirúrgico. Quando a gente consegue minimizar a dor dessa formação de uma cicatriz inestética, a gente está contribuindo para a autoestima de todos esses pacientes cirúrgicos. Então, estudos na prevenção e no tratamento de cicatrizes ruins e queloides, impactam diretamente na vida de uma pessoa que passou por uma cirurgia, especialmente cirurgias grandes, como a do câncer. O próprio entendimento desses mecanismos que levam ao crescimento desordenado dos queloides, contribui para o entendimento dos tumores em geral. É a ciência pela ciência;” afirma.
Dra. Gisele comenta ainda sobre a implementação de um Ambulatório de Queloides no Instituto Mário Penna que já vem realizando importantes avanços na área. O trabalho desenvolvido vem sendo considerado referência nacional e internacional com métodos não-cirúrgicos aplicados em pacientes. “Nós já atendemos um número grande de pessoas, que vêm sendo tratadas de forma não cirúrgica, na maioria das vezes. O ambulatório funciona nas quartas pela manhã, com pacientes encaminhados pela Secretaria de Saúde, através dos Postos de Saúde”. Dra Gisele ainda ressalta que um dos objetivos principais do ambulatório é dar vazão a uma fila de pessoas que estão esperando tratamentos.
Um dos grandes diferenciais dos métodos aplicados no ambulatório do Instituto Mário Penna é o fato dos resultados serem significativamente promissores. Dra. Gisele destaca que na maioria dos casos tratados na instituição não há recidiva do queloide. A dermatologista ainda reforça a importância do desenvolvimento da pesquisa nesse processo de aprofundamento dos estudos e se diz otimista com os resultados para o futuro.
FONTE: Izabela Ferreira Gontijo de Amorim | Pesquisadora do Instituto Mário Penna – Ensino, Pesquisa e Inovação e Dra. Gisele Viana | Dermatologista do Instituto Mário Penna