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NEXS I NÚCLEO DE EXCELÊNCIA EM SAÚDE

NÚCLEO DE ENSINO, PESQUISA E INOVAÇÃO

Notícias de: Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

27jan2025
Autor Giovana Cangussú Categorias Ensino, Pesquisa e Inovação, Instituto Mário Penna, Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), Tratamento Oncológico

NEPI Mário Penna utiliza Inteligência Artificial para prever desfecho clínico no câncer de ovário

Você já reparou como seu smartphone é capaz de reconhecer rostos em uma foto ou como as plataformas de streaming recomendam filmes que parecem feitos sob medida para você? Essas tecnologias são possíveis graças a sistemas de inteligência artificial (IA), que têm a capacidade de identificar padrões em dados complexos, como imagens e comportamentos. Mas o impacto da IA vai muito além do entretenimento e do dia a dia – ela também está transformando a ciência, especialmente na área da saúde.

No caso da análise de imagens, os sistemas de IA funcionam treinando computadores para reconhecer características específicas, como formas, texturas ou cores, a partir de exemplos previamente fornecidos. Essa tecnologia já é amplamente usada, por exemplo, em veículos autônomos para distinguir pedestres de sinais de trânsito ou em diagnósticos médicos para detectar anormalidades em exames de imagem, como mamografias.

Agora, imagine usar a mesma abordagem para ajudar a identificar alterações genéticas em casos de câncer. Parece ficção científica, mas é exatamente isso que um grupo de pesquisadores do Instituto Mário Penna, em parceria com a pesquisadora Thelma Fonseca, do Departamento de Engenharia Nuclear da UFMG, está desenvolvendo. O projeto, liderado pelos pesquisadores Ramon de Alencar, Izabela Gontijo e pela gerente de Pesquisa Translacional, Letícia da Conceição Braga, do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação da instituição,  iniciou no final de 2024 e explora o potencial da IA para analisar imagens histopatológicas – lâminas de tecido cancerígeno coradas e visualizadas sob o microscópio – em busca de pistas sobre o comportamento do câncer seroso de alto grau, um tipo agressivo de câncer de ovário.

O foco principal do estudo é prever a deficiência em genes associados à via de reparo de DNA chamada HRD (Deficiência na Recombinação Homóloga). Esses genes desempenham um papel essencial na capacidade das células de corrigirem danos no DNA. Quando essa via está comprometida, as células tumorais se tornam mais suscetíveis a certos tratamentos, como os inibidores de PARP, que são uma das terapias mais avançadas contra esse tipo de câncer.

A ideia é simples, mas revolucionária: ao invés de depender exclusivamente de testes genéticos caros e demorados, os pesquisadores buscam usar a IA para “ensinar” os computadores a reconhecer padrões microscópicos nas lâminas histológicas que possam indicar essa deficiência genética. A equipe está desenvolvendo modelos de aprendizado profundo – uma técnica avançada de IA – para identificar essas assinaturas visuais específicas, com o objetivo de tornar o diagnóstico mais rápido, acessível e preciso.

Esse projeto é mais do que uma inovação tecnológica. Ele representa uma esperança para pacientes com câncer de ovário, pois desta forma essa tecnologia pode um dia abrir caminho para tratamentos personalizados que aumentem as chances de resposta às terapias.

O uso deste tipo de método de inteligência artificial na oncologia ainda está em seus primeiros passos, mas estudos como este mostram um futuro em que a tecnologia pode ajudar a salvar vidas, promovendo diagnósticos mais rápidos e tratamentos cada vez mais eficazes. O trabalho realizado no Instituto Mário Penna é um exemplo inspirador de como a ciência e a inovação podem transformar desafios em novas possibilidades.

Autor: Ramon de Alencar Pereira, MSc, PhD em Patologia, MBA em Data Science & Analytics, Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Pesquisador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Mário Penna.

27dez2024
Autor Marketing Categorias Ensino, Pesquisa e Inovação, Instituto Mário Penna, Não categorizado, Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

Câncer de pele hereditário e a importância dos testes e do aconselhamento genético

Dezembro é o mês em que o Brasil se mobiliza em torno de uma causa vital: a prevenção ao câncer de pele, o tipo de câncer mais comum no país. Sob o lema do Dezembro Laranja “Você não é de ferro. Proteja-se do câncer de pele”, a campanha reforça a importância de cuidar da saúde da pele, promovendo hábitos de proteção e incentivando o diagnóstico precoce. Medidas simples, como o uso diário de protetor solar, a redução da exposição excessiva ao sol e a realização de exames dermatológicos regulares, podem contribuir significativamente para a diminuição dos casos dessa doença.

Mas, você sabia que alguns cânceres de pele podem ter um componente hereditário significativo? Embora a maioria esteja associada à exposição solar e a hábitos inadequados, há casos relacionados a uma predisposição genética, como o melanoma hereditário.

O que é câncer de pele hereditário?

O câncer de pele hereditário ocorre devido a mutações genéticas transmitidas de geração em geração dentro de uma família, aumentando o risco de desenvolver a doença. Esse é o caso do melanoma hereditário, associado a mutações em genes como o CDKN2A, CDK4 e, em menor frequência, BAP1. Esses genes desempenham papéis essenciais na regulação do crescimento celular e na reparação de danos ao DNA.

Ter uma predisposição hereditária não significa que o câncer seja inevitável, mas sim que o risco é maior. Avanços na testagem genética e no aconselhamento têm transformado o cuidado com os casos de câncer de pele hereditário.

Para indivíduos com histórico familiar de melanoma e outros cânceres relacionados, como os de pâncreas e mesotelioma, os testes genéticos permitem a criação de estratégias personalizadas de prevenção e vigilância, incluindo monitoramento dermatológico frequente e mudanças no estilo de vida.

O aconselhamento genético desempenha um papel central nos casos de cânceres hereditários. Por meio desse processo, famílias com risco hereditário são informadas sobre a natureza das mutações genéticas, os riscos associados e as opções disponíveis para prevenção e tratamento. Esse suporte é crucial para facilitar a vigilância ativa de lesões cutâneas e promover diagnósticos precoces, fundamentais para o sucesso do tratamento.

Testes genéticos para cânceres hereditários estão disponíveis no SUS?

No Brasil, iniciativas em políticas públicas têm buscado ampliar o acesso à medicina personalizada no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a testagem genética para condições hereditárias. Embora os testes para câncer de pele ainda não estejam amplamente disponíveis, esforços têm sido direcionados para reconhecer essa necessidade.

Avanços no acesso à testagem genética estão mais consolidados em casos de câncer de mama e ovário, mas o crescente reconhecimento do câncer de pele como prioridade na saúde pública tem estimulado iniciativas para ampliar o diagnóstico genético de síndromes associadas ao melanoma.

A integração entre legislações estaduais e diretrizes nacionais é fundamental para expandir esses serviços, promovendo maior equidade no acesso e contribuindo para a redução de desigualdades regionais.

Texto: Letícia Braga, Gerente de Pesquisa Translacional do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação do Instituto Mário Penna

27dez2024
Autor Sofia Gontijo Categorias Instituto Mário Penna, Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), Tratamento Oncológico

Bioinformática: uma grande aliada no enfrentamento ao câncer

A bioinformática é a ciência que utiliza ferramentas computacionais para analisar dados biológicos, sendo essencial para decifrar o código genético dos seres vivos. No caso dos seres humanos, esse código é formado por quatro bases nitrogenadas – estruturas básicas que formam o DNA – que se combinam em sequências totalizando aproximadamente 3,2 bilhões de bases. Essas estruturas codificam cerca de vinte mil genes, responsáveis por armazenar as informações necessárias para a formação, o desenvolvimento e o funcionamento do organismo.

“Um código, de proporções tão grandes e complexas, não pode ser analisado simplesmente pelo olho humano. É necessário o uso de ferramentas que auxiliam a desvendar esse código, e, é exatamente neste cenário que a bioinformática está inserida”, reforça Fábio Queiroz,  Pesquisador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação.

Com o aprimoramento das técnicas de sequenciamento disponíveis, tornou-se mais rápido e acessível obter informações sobre o código genético do ser humano. Isso gerou uma enorme quantidade de dados genéticos, aumentando a necessidade de ferramentas que otimizem a análise e o armazenamento dessas informações. Nesse contexto, a bioinformática surge como uma aliada estratégica para ampliar a capacidade de investigação e compreensão dos dados biológicos.

No enfrentamento ao câncer, a bioinformática assume um papel ainda mais crucial. O câncer é causado por mutações nas sequências genéticas, e, com o auxílio dessa tecnologia, é possível explorar essas alterações em detalhes, revelando características pouco conhecidas da doença. Um exemplo marcante é a identificação dos genes BRCA1 e BRCA2, fundamentais para entender os cânceres de mama e ovário hereditários. Essa descoberta revolucionou o tratamento dessas doenças, permitindo o desenvolvimento de medicamentos altamente eficazes e direcionados a perfis genéticos específicos, tornando a medicina personalizada uma realidade.

Encontrar biomarcadores como aqueles atrelados aos genes BRCA, é uma prioridade para boa parte dos bioinformatas que estudam o câncer. Visto que, quanto mais assinaturas genéticas forem identificadas nos mais diversos tipos de câncer, maior é a chance de se desenvolver abordagens terapêuticas de precisão e no menor intervalo de tempo possível. O que favorece a sobrevida com qualidade de vida dos pacientes oncológicos.

O NEPI-Mário Penna conta com pesquisadores especialistas em bioinformática, que buscam biomarcadores em vários tipos de câncer. Eles buscam identificar assinaturas genéticas, como mutações e perfis de expressão, que possam direcionar tratamentos mais eficazes e personalizados.

Um exemplo recente dessa atuação é um estudo realizado em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Utilizando a bioinformática, os pesquisadores identificaram uma assinatura de long non-coding RNAs preditores da resposta ao tratamento quimiorradioterápico do câncer de colo uterino. Esses resultados abrem caminho para o desenvolvimento de testes que avaliem, antes do início do tratamento, as chances de sucesso da proposta terapêutica. Essa abordagem contribui para tratamentos mais eficazes e melhora a qualidade de vida das mulheres que enfrentam esse tipo de câncer. 

O estudo foi publicado no periódico Non-Coding RNA Research e pode ser acessado por meio do link:  https://doi.org/10.1016/j.ncrna.2024.10.004.

Fonte: Dr. Fábio Ribeiro Queiroz, mestre e doutor em Ciências da Saúde e responsável pela plataforma de sequenciamento e bioinformática do Instituto Mário Penna. 

6nov2024
Autor Giovana Cangussú Categorias Ensino, Pesquisa e Inovação, Instituto Mário Penna, Notícias Gerais, Novo Hospital Luxemburgo, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), Tratamento Oncológico

Câncer de Próstata: como a Pesquisa Translacional do Mário Penna tem transformado a prevenção e o tratamento

Dia 17 de novembro é reconhecido mundialmente como o Dia de Combate ao Câncer de Próstata. A data reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dessa doença que afeta milhares de homens todos os anos.

O laboratório de Pesquisa Translacional do Instituto Mário Penna trabalha intensamente para transformar descobertas científicas em novas abordagens terapêuticas. Assim, a pesquisa translacional funciona como uma ponte entre o laboratório e a prática clínica, permitindo a criação de tratamentos mais eficazes e personalizados. Esses avanços beneficiam diretamente pacientes com câncer de próstata e trazem um impacto positivo na saúde masculina.

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comumente diagnosticado e a quinta principal causa de morte por câncer entre homens em todo o mundo, representando a principal causa de morte por câncer em 48 países. No Brasil, a doença tem alta incidência, com cerca de 71.730 novos casos anuais estimados para o triênio de 2023 a 2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Isso representa aproximadamente 67,86 casos a cada 100 mil homens, sendo a segunda neoplasia mais frequente entre homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A maior concentração de casos está nas regiões sudeste e nordeste, refletindo o envelhecimento populacional e o impacto do rastreamento com PSA (antígeno prostático específico).

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, etnia negra e histórico familiar. Outros fatores como obesidade, sedentarismo, diabetes mellitus e dieta rica em carnes processadas e vermelhas, também aumentam o risco de desenvolver a doença. Os sintomas mais comuns são fluxo urinário fraco e micção frequente, embora esses sinais também possam estar relacionados a outras condições prostáticas. 

Diagnóstico Precoce e Acompanhamento

O diagnóstico precoce do câncer de próstata envolve o toque retal, o exame de PSA e, em alguns casos, a biópsia.

Toque Retal: Avalia irregularidades e nódulos na próstata.

PSA: Embora o exame de PSA seja útil, ele não é suficiente para avaliar a agressividade do câncer de forma isolada. Parâmetros como densidade do PSA, velocidade de elevação e a relação PSA livre/total ajudam a aumentar a precisão. O p2PSA, técnica em desenvolvimento, visa aprimorar a detecção.

Biópsia: Confirma o diagnóstico e avalia a agressividade do tumor. O sistema Gleason e a classificação ISUP (de 1 a 5) permitem uma análise detalhada, auxiliando no prognóstico e na personalização do tratamento. Tumores ISUP 1 têm crescimento lento e podem apenas requerer observação, enquanto os de ISUP 4 e 5 são mais agressivos e exigem intervenções mais intensas.

Sobre o tratamento 

O tratamento do câncer de próstata é abrangente e inclui várias abordagens. Para tumores iniciais ou de risco muito baixo, recomenda-se a vigilância ativa, já que muitos desses tumores têm crescimento lento e não representam risco imediato à saúde. Em casos localizados, onde o câncer está restrito à próstata, a cirurgia é uma opção comum, especialmente a prostatectomia radical, que remove toda a glândula prostática.

A radioterapia, seja externa ou interna (braquiterapia), também pode ser aplicada diretamente sobre o tumor. Nos casos em que a doença está mais avançada, utiliza-se a terapia hormonal, que reduz os hormônios que promovem o crescimento do câncer, seja por medicamentos anti androgênios ou cirurgia. 

Em casos mais avançados, a quimioterapia e as terapias-alvo, como os inibidores de PARP, são opções adicionais. A imunoterapia também pode ser indicada, ajudando o sistema imunológico a reconhecer e combater o tumor. Cada uma dessas estratégias é combinada e ajustada conforme o quadro clínico, buscando eficácia e qualidade de vida para o paciente.

30out2024
Autor Giovana Cangussú Categorias Ensino, Pesquisa e Inovação, Instituto Mário Penna, Não categorizado, Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), Tratamento Oncológico

Do laboratório ao tratamento: como médicos e cientistas aceleram descobertas para tratamentos mais eficazes e inovadores

A pesquisa translacional é essencial para transformar as descobertas científicas em soluções clínicas, especialmente no tratamento do câncer. Esse tipo de pesquisa busca encurtar a distância entre a ciência básica e a prática médica, permitindo que novas descobertas se transformem rapidamente em terapias que beneficiam diretamente os pacientes.

A colaboração entre médicos e pesquisadores é essencial nesse processo. Enquanto os médicos estão em contato direto com as necessidades e desafios dos pacientes, os cientistas utilizam essas informações para desenvolver novas terapias com base em evidências. Essa integração garante que o conhecimento gerado no laboratório se converta em soluções práticas e relevantes para o tratamento.

Os médicos, como principais intermediários entre a ciência e os pacientes, identificam lacunas nos tratamentos atuais e sugerem novas abordagens. Esses profissionais são capazes de identificar padrões e lacunas no tratamento atual, ajudando os pesquisadores a definir prioridades para as investigações. Ao orientar os cientistas sobre as questões mais prementes e as limitações das terapias existentes, a colaboração entre clínicos e pesquisadores garante que o foco das pesquisas esteja sempre alinhado às necessidades dos pacientes.

Inovação e agilidade na criação de novas terapias

Essa parceria entre médicos e pesquisadores cria um ciclo de inovação contínuo. As descobertas feitas no laboratório são rapidamente testadas em ensaios clínicos, e os resultados obtidos nesses testes ajudam a refinar novas soluções. Esse processo acelera o desenvolvimento de tratamentos inovadores e garante que sejam aplicados com segurança e eficiência. Essa dinâmica não apenas encurta o tempo necessário para que novas terapias cheguem aos pacientes, mas também contribui para personalizar os tratamentos, aumentando suas chances de sucesso.

Em última análise, a pesquisa translacional é fundamental para garantir que os pacientes tenham acesso a tratamentos personalizados e eficazes. A colaboração entre médicos e cientistas permite que o conhecimento científico seja rapidamente aplicado para atender às necessidades específicas dos pacientes, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida e os resultados clínicos. 

A pesquisa translacional em uma instituição dedicada ao câncer é plenamente eficaz quando há uma parceria sólida entre as equipes médicas e de pesquisa. Juntas, essas equipes têm o poder de transformar a ciência em soluções concretas, impactando diretamente a vida de milhares de pessoas. Com a colaboração contínua, é possível acelerar a descoberta de novos tratamentos e garantem que cada avanço científico se transforme em uma esperança concreta para milhares de vidas.

Referências:

  1. Wehling, M. (2008). Translational medicine: science or wishful thinking? Journal of Translational Medicine, 6(31).
  2. Marincola, F. M. (2003). Translational Medicine: A two-way road. Journal of Translational Medicine, 1(1), 1-2.
  3. National Cancer Institute (NCI). Translational Cancer Research: Making New Treatments Possible. Disponível em: www.cancer.gov.

Texto: Pâmela Agresti –  Pesquisadora do NEPI Mário Penna 

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