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Notícias de: Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

16set2021
Autor Carolina Farah Categorias Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

NEP e o câncer colorretal: prevenir ainda é o melhor remédio

O câncer colorretal, apesar de ser o segundo tipo de câncer mais comum em homens e mulheres (excetuando-se o câncer de pele não melanoma), é também um dos mais evitáveis. Isso porque ele não aparece de repente. Esse tipo de câncer tem sua origem em pólipos (crescimento anormal de células) localizados no intestino grosso nas regiões do cólon, reto e ânus. Eles geralmente não causam sintomas e podem levar entre 10 e 15 anos para se desenvolverem em câncer. Mas, se detectados durante uma colonoscopia (exame que captura imagens em tempo real do intestino) podem ser removidos antes que o câncer aconteça.

Contudo, apenas 40% dos casos de câncer colorretal são detectados em estágio inicial. A grande maioria é detectada em estágios avançados, quando os sintomas são mais evidentes e os tratamentos existentes menos eficazes.

Mas, se existem maneiras de diagnosticá-lo precocemente, por que isso ainda acontece? De acordo com a Dra. Carolina Melo, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Translacional do NEP, uma das principais razões é que ainda existe muito preconceito com a colonoscopia, por ser uma técnica invasiva, que exige um preparo (limpeza) do cólon considerado desagradável por incluir o uso de laxantes e grande ingestão de água.

A colonoscopia de rotina deve ser realizada na população, em geral, a partir dos 50 anos, com intervalos regulares que podem ir de 3 a 5 anos, de acordo com a orientação médica.

“Se todos tivessem consciência do sofrimento que podem ser evitados com o diagnóstico precoce do câncer colorretal, talvez não houvesse espaço para este tipo de preconceito. Existem outras maneiras de se rastrear sinais do câncer colorretal, mas a colonoscopia é a única que pode evitar que ele se inicie através da remoção dos pólipos”; ressalta Dra. Carolina.

Algumas pessoas possuem um maior risco de apresentarem essa doença. Cerca de 3% dos casos (1 em cada 30) de câncer colorretal é causado por uma síndrome hereditária chamada Síndrome de Lynch. Nessa síndrome, mutações em genes que ajudam a reparar danos no DNA, podem aumentar em até 50% o risco de uma pessoa desenvolver câncer colorretal, geralmente relativamente ainda jovem. Por isso, conhecer o histórico familiar é muito importante nesses casos.

Além disso, para quem possui problemas de inflamação intestinal, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa, ou tem um parente de primeiro grau que já teve algum tipo de câncer no intestino, esse exame deve começar a ser feito a partir dos 40 anos de idade.

Uma boa notícia é que os pesquisadores estão trabalhando na busca de biomarcadores, como células específicas, moléculas ou genes, que permitam o diagnóstico precoce do câncer de maneira menos invasiva e mais assertiva. Outro avanço no tratamento do câncer colorretal é a recente publicação de resultados promissores da aplicação de uma vacina protetiva contra o câncer colorretal hereditário em camundongos.

Quer saber mais sobre os avanços científicos no diagnóstico e tratamento do câncer colorretal? Na próxima edição, Dra. Carolina continua falando sobre esse tema em nossas redes sociais e no Infoco.

 

  • Texto escrito pela Dra. Carolina Melo, PhD em genética humana. Ela trabalha há mais 10 anos na pesquisa em oncologia e, atualmente, é parte da equipe de pesquisadores do NEP.
3set2021
Autor Carolina Farah Categorias Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

Instituto Mário Penna terá o primeiro Biobanco de Tumores em funcionamento em Minas Gerais

O Instituto Mário Penna recebeu autorização do Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) para implementação do primeiro Biobanco de Tumores do Estado de Minas Gerais. É o único em um hospital filantrópico no estado que atende mais de 80% de seus pacientes através do SUS e que estará em funcionamento a partir do próximo ano.

Dra. Letícia Braga, Coordenadora do Laboratório de Pesquisa Translacional do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), será responsável pelas atividades no IMP. Ela explica que os Biobancos consistem em um sistema sofisticado e bem-organizado de armazenamento programado de material biológico (sangue, líquor, tecidos tumorais e normais) e dados correspondentes, que são acessíveis para investigação científica e para o tratamento do câncer.

“Para implementação, recebemos apoio financeiro através do Programa Nacional de Oncologia (PRONON). Em um primeiro momento, o Biobanco fornecerá amostras de tecidos tumorais e não-tumorais de mama e ovário, incluindo biomoléculas como DNA, RNA e proteína. Teremos a capacidade de armazenar os materiais biológicos das pacientes através de criopreservação (-80ºC e a -180ºC), além de um sistema próprio para armazenamento de todo histórico clínico-epidemiológicos das pacientes, que será integrado ao Sistema Nacional de Biobancos”; conta Dra. Letícia.

E qual o diferencial do Instituto Mário Penna ter um Biobanco?

No Biobanco, as amostras são armazenadas com qualidade permitindo estudos celulares, moleculares ou sistêmicos, utilizando diversos tipos de tecnologias, como Biópsia Líquida, sequenciamento e Citometria de Fluxo, bem como se tem acesso a dados clínicos das pacientes com a resposta ao tratamento, recorrência, prognóstico, entre outros.

“As amostras biológicas armazenadas no Biobanco ficarão disponíveis para pesquisadores da própria instituição ou para qualquer outra (nacional ou internacional) que queira estabelecer parcerias/colaborações para pesquisa e desenvolvimento. Com isso, o Instituto Mário Penna além do reconhecimento pelo cuidado com excelência dos pacientes oncológicos, passa a ser um dos principais atores na geração de conhecimento e produtos em oncologia no contexto do SUS”; ressalta Dra. Letícia.

 

23ago2021
Autor Carolina Farah Categorias Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

NEP: Você gostaria de participar como voluntário em um estudo clínico?

Esta pergunta normalmente é feita pela equipe de pesquisa clínica aos pacientes do Instituto Mário Penna que podem entrar para os estudos clínicos. Mas, antes de ouvir a resposta, algumas explicações são essenciais.

O voluntário de pesquisa, também conhecido como participante de pesquisa, é uma pessoa que aceita usar um novo medicamento que está em fase de teste e que possa trazer benefício para o tratamento do câncer. A identificação dos potenciais voluntários é realizada pela equipe de oncologistas que indicam aqueles que podem participar dos estudos. Para este convite é necessário checar três pontos fundamentais:

1 – O tratamento teste possibilita mais benefício que o tratamento padrão? Em algumas situações, os estudos clínicos oferecem medicações que não estão disponíveis no SUS ou no convênio, e que já apresentam resultados promissores em comparação às terapias utilizadas na rotina, e que podem aumentar o tempo de vida ou causar menos efeitos colaterais. Em outras situações, o paciente já percorreu um longo caminho de tratamentos e as opções de terapia já se esgotaram, restando ao médico oncologista repetir um tratamento que já foi feito anteriormente. Com a pesquisa clínica é possível viabilizar uma nova linha de tratamento.

2 – O que acontece quando participo do estudo clínico? O estudo clínico não é iniciado antes do paciente ser esclarecido quanto aos riscos, benefícios, exames de acompanhamento, medicamentos usados, efeitos colaterais, tempo de tratamento, consultas e todas as outras informações necessárias para garantir o seu direito de decisão.  Após o esclarecimento, um documento chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) é assinado pelo paciente e pelo médico responsável pelas orientações passadas. No termo consta todas as informações discutidas e os contatos dos responsáveis pelo protocolo clínico.

3 – O paciente atende aos critérios de segurança do estudo? Antes do estudo clínico chegar ao Instituto Mário Penna, outras análises são realizadas a respeito do medicamento, sendo possível conhecer os principais efeitos colaterais que ele pode causar, excluindo assim, pacientes que possam ter algum fator de risco para tomar a medicação. Vários exames são realizados entre a assinatura do TCLE e antes da administração da primeira dose da medicação, com o objetivo de conhecer o paciente.

Cíntia Lima, Enfermeira Coordenadora de Pesquisa Clínica, ressalta que um paciente bem esclarecido quanto às possibilidades de tratamento na oncologia, certamente não terá dificuldade em responder à pergunta do título deste texto. Ela reforça também que a missão da equipe de pesquisa clínica é oferecer o melhor tratamento aos pacientes e garantir que a sua vontade seja respeitada.

*Texto escrito por Cíntia Lima, Enf. Coordenadora de Pesquisa Clínica

4ago2021
Autor Marketing Categorias Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

NEP: entenda a relação das mutações com o câncer

As mutações genéticas podem levar ao desenvolvimento do câncer e as pesquisas mostram que 66% delas que causam tumores são aleatórias, apenas 29% são ligadas ao ambiente ou estilo de vida e apenas 5% estão ligadas a hereditariedade. Mas, você sabe o que são as mutações?

Todos os seres vivos possuem um material genético que é responsável por gerar o organismo e o manter em funcionamento. Esse material genético funciona como um código que precisa ser lido e interpretado sempre que uma atividade biológica é necessária nesse organismo. Cada espécie possui um código genético que é próprio e que é o mesmo entre todos os indivíduos dessa espécie. Contudo, cada indivíduo possui pequenas diferenças que os distinguem uns dos outros. Isso acontece também com todos nós. Temos o mesmo código genético, mas cada um possui pequenas diferenças que nos fazem diferentes mesmo quando comparados com nossos irmãos.

Quando nossas células vão se multiplicar, seja para reparar um tecido machucado, seja para repor outras células, esse código genético precisa se duplicar. Isso é importante para que cada nova célula tenha a mesma informação genética daquela que a originou. Durante esta etapa de duplicação, pequenos erros podem acontecer no código genético e eles são chamados de mutações.

A maioria das mutações que ocorrem são corrigidas ou a célula é destruída. Contudo, algumas células com mutações podem permanecer no organismo. Algumas dessas mutações podem trazer vantagens ao ser vivo e esse tipo de mutação é uma das responsáveis pela evolução dos seres vivos, ou seja, são legais. Mas, algumas podem ser bastante problemáticas e podem causar problemas sérios, como aquelas que desencadeiam o câncer.

Identificar essas mutações é fundamental para entender as características da doença e propor metodologias de tratamento cada vez mais individualizadas e assim, auxiliar para que os pacientes possam ter uma resposta mais eficiente aos tratamentos disponíveis e consequentemente, tenham maior possibilidade de cura. Além disso, o conhecimento das mutações em tumores pode identificar ainda novos tipos de tratamento.

“Trabalhando na fronteira do conhecimento e das pesquisas sobre o câncer e com o propósito de expandir esse conhecimento científico, propondo soluções para o diagnóstico e tratamento dos pacientes oncológicos, os pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Translacional do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), estão desenvolvendo estudos para avaliar a carga de mutações presentes nos pacientes com câncer de mama e ovário”; afirma o Dr. Fábio Queiroz, um dos pesquisadores do Laboratório. A metodologia aplicada nessas pesquisas foi desenvolvida pela Qiagen™, empresa de renome internacional na produção de insumos de biotecnologia.

*Texto escrito por Dr. Fábio Ribeiro Queiroz

câncer de cabeça e pescoço
23jul2021
Autor Marketing Categorias Notícias Gerais, Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP)

NEP realiza pesquisas relacionadas ao câncer de cabeça e pescoço

O Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é celebrado no dia 27 de julho. Um dos principais problemas para o tratamento deste tipo de câncer é o diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos, deixando sequelas no paciente.
Todos nós queremos evitar o câncer, mas nem sempre isso é fácil. Por outro lado, no câncer de cabeça e pescoço conseguimos prevenir a doença simplesmente evitando a exposição aos fatores que estão relacionados ao aparecimento da doença. Existem fatores de risco bem conhecidos, que podem ser facilmente evitados. O primeiro fator: o excesso de exposição à luz solar. O segundo fator: cigarro e álcool e a situação é pior quando a pessoa tem o hábito de consumir grandes quantidades de álcool e fuma muito. O terceiro fator: Vírus HPV, o mesmo que está relacionado ao aparecimento do câncer de colo de útero, na mulher.

câncer de cabeça e pescoço

Além da prevenção, o diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são fundamentais para a cura do câncer de cabeça e pescoço, reduzindo o impacto na qualidade de vida dos pacientes. O Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), através de parceria do Laboratório de Pesquisa Translacional, com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolve o projeto de pesquisa “Associação entre aspectos clínicos e imunopatológicos à dor orofacial e qualidade de vida em pacientes com carcinoma de células escamosas de mucosa oral”. A pesquisa é realizada pela aluna de mestrado Francine Barros de Oliveira, do Programa de Pós Graduação em Patologia da UFMG, sob orientação da Profa. Dra. Camila Megale Almeida-Leite (Depto de Morfologia/Instituto de Ciências Biológicas/UFMG) e coorientação da Dra. Patricia Rocha Martins.

Também participam da pesquisa como membros da equipe do Instituto Mário Penna (IMP), Dr. Paulo Guilherme de Oliveira Salles, a Dra. Juliana Maria Braga Sclauser e a Dra. Letícia Braga, além da equipe médica do ambulatório de cabeça e pescoço. O projeto visa avaliar em pacientes com câncer de boca que procuram tratamento no IMP, potenciais relações entre as características do câncer, a dor orofacial apresentada pelo paciente e a qualidade de vida.

Segundo Dra. Camila Megale, essa pesquisa é o ponto de partida para estudos mais detalhados sobre o tipo de dor orofacial que os pacientes com câncer de cabeça e pescoço apresentam e como o tipo de câncer pode interferir na dor como sintoma. “No futuro, os resultados obtidos permitirão tratar precocemente a dor do paciente de modo mais específico com base em informações obtidas na biópsia e nas consultas iniciais, o que tornará o alívio da dor orofacial mais efetivo.”

 

 

 

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