As mutações genéticas podem levar ao desenvolvimento do câncer e as pesquisas mostram que 66% delas que causam tumores são aleatórias, apenas 29% são ligadas ao ambiente ou estilo de vida e apenas 5% estão ligadas a hereditariedade. Mas, você sabe o que são as mutações?
Todos os seres vivos possuem um material genético que é responsável por gerar o organismo e o manter em funcionamento. Esse material genético funciona como um código que precisa ser lido e interpretado sempre que uma atividade biológica é necessária nesse organismo. Cada espécie possui um código genético que é próprio e que é o mesmo entre todos os indivíduos dessa espécie. Contudo, cada indivíduo possui pequenas diferenças que os distinguem uns dos outros. Isso acontece também com todos nós. Temos o mesmo código genético, mas cada um possui pequenas diferenças que nos fazem diferentes mesmo quando comparados com nossos irmãos.
Quando nossas células vão se multiplicar, seja para reparar um tecido machucado, seja para repor outras células, esse código genético precisa se duplicar. Isso é importante para que cada nova célula tenha a mesma informação genética daquela que a originou. Durante esta etapa de duplicação, pequenos erros podem acontecer no código genético e eles são chamados de mutações.
A maioria das mutações que ocorrem são corrigidas ou a célula é destruída. Contudo, algumas células com mutações podem permanecer no organismo. Algumas dessas mutações podem trazer vantagens ao ser vivo e esse tipo de mutação é uma das responsáveis pela evolução dos seres vivos, ou seja, são legais. Mas, algumas podem ser bastante problemáticas e podem causar problemas sérios, como aquelas que desencadeiam o câncer.
Identificar essas mutações é fundamental para entender as características da doença e propor metodologias de tratamento cada vez mais individualizadas e assim, auxiliar para que os pacientes possam ter uma resposta mais eficiente aos tratamentos disponíveis e consequentemente, tenham maior possibilidade de cura. Além disso, o conhecimento das mutações em tumores pode identificar ainda novos tipos de tratamento.
“Trabalhando na fronteira do conhecimento e das pesquisas sobre o câncer e com o propósito de expandir esse conhecimento científico, propondo soluções para o diagnóstico e tratamento dos pacientes oncológicos, os pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Translacional do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), estão desenvolvendo estudos para avaliar a carga de mutações presentes nos pacientes com câncer de mama e ovário”; afirma o Dr. Fábio Queiroz, um dos pesquisadores do Laboratório. A metodologia aplicada nessas pesquisas foi desenvolvida pela Qiagen™, empresa de renome internacional na produção de insumos de biotecnologia.
*Texto escrito por Dr. Fábio Ribeiro Queiroz








O NEP foi fundado em 2015 com o propósito de atuar na investigação e produção de dados de científicos. “Ao longo dos anos, estamos gerando conhecimento e avanços no campo da oncologia, a partir de pesquisas básicas, translacionais e clínicas”; explica Dr. Paulo Guilherme, médico patologista e Diretor do Núcleo de Ensino e Pesquisa.
O Laboratório de Pesquisa Translacional do Núcleo de Ensino e Pesquisa do IMP é chefiado pela pesquisadora Letícia da Conceição Braga, parceira de pesquisa de Luciana Silva, e executou seus experimentos do doutorado no SBM da Funed. As duas pesquisadoras são responsáveis por trazer a inovação em biotecnologia do câncer para Minas Gerais, por meio da criação da startup OncoTag, que nasceu na Fundação em 2014, e que tem em sua carteira de desenvolvimento um exame molecular para pacientes com câncer de ovário. De acordo com Luciana, a dupla tem experiência, cumplicidade e compromisso para que as duas instituições possam ajudar a melhorar o tratamento do paciente oncológico através das suas pesquisas.
Ainda segundo Dra. Letícia, somente no ano passado, 164 mulheres com câncer de colo uterino, 102 com câncer de ovário e 99 com câncer de mama participaram dos estudos e contribuíram para atingir os objetivos dos projetos do NEP.